segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Lembrei da Casa Amarela
Hoje passando por uma rua dessas com cara de antiga,com casas de estrutura tradicional,com santinho no telhado e tudo,lembrei da casa amarela,de Luana,de Mamãe.Vi o quanto que ainda tenho pra falar,pra esclarecer a quem importe,ainda o que falta por andar,por escrever.Os bairros que não visitei,os bares que não conheci.
Me lembrei da beleza nos olhos molhados de um velho dono de bar falando de seu pai,pensei no meu velho,pensei na minha vida,minhas irmãs,meus medos secretos e os explícitos.Eu vi o garoto da bicicleta que gostava de vento e rodopiava no quintal,senti na boca o gosto do suco de manga,o gosto azedo de ameixa,o cansaço depois da correria à toa.A coca naquela manhã depois da ressaca num lugar cinza ao lado de Luana,e pensei na sua morte também.
Levantei a cabeça e tomei certeza daquilo que não quero acreditar e jamais me farão mudar de idéia,do quanto mudei e talvez ainda vou mudar,dos erros que cometi e não me arrependi,afinal me trouxeram até aqui,e onde é aqui?
Hoje lembrei do Maranhão,da menina do vestido velho,dos cachorros e gatos,das árvores e das estradas,e das caras da gente que não mais vi,como estarão hoje?
Me peguei com uma certeza única e exata,sei que,ao fim do dia,terei muito mais a escrever,a amar,a fazer.E já não me surpreendo com a tristeza,me disseram que a vida é cíclica e às vezes eu concordo.Jamais terei pena,jamais poderei voar,o que não diz se eu tenho asas ou não,sou na verdade,um anjo paralítico,e pra quê ser anjo? ...sou é um pobre diabo.
Eu enxerguei os preconceitos mais sujos nas pessoas mais limpas,ah,essa gente de "cabeça aberta" tem uma cuca tão dura.E falar em vovó,sempre sentada com seu "porrete".Não julgue as pessoas,elas realmente são meras crianças inocentes,por outro lado,as "crianças inocentes" são espertas criaturas dançando e se exibindo para a impunidade de ser pequeno e pronto.Tô pensando pra onde vai a lama,essa nossa.Os nossos gritos até onde alcançam,nossas vontades não realizadas,onde vão parar?
Eu quero mais,quero fazer crônicas,quero ser crônico,mas nem tanto,a gente quer sempre resolver tudo,ser algo perto do perfeito,ser "aquela Coca-Cola toda",mas eu ficaria satisfeito em somente ser aquele simples copo d'água que lhes quebra o galho e lhes causa o melhor sentimento do mundo,matar a sede,pois,amar é com vocês.
Allan Bonfim.
Me lembrei da beleza nos olhos molhados de um velho dono de bar falando de seu pai,pensei no meu velho,pensei na minha vida,minhas irmãs,meus medos secretos e os explícitos.Eu vi o garoto da bicicleta que gostava de vento e rodopiava no quintal,senti na boca o gosto do suco de manga,o gosto azedo de ameixa,o cansaço depois da correria à toa.A coca naquela manhã depois da ressaca num lugar cinza ao lado de Luana,e pensei na sua morte também.
Levantei a cabeça e tomei certeza daquilo que não quero acreditar e jamais me farão mudar de idéia,do quanto mudei e talvez ainda vou mudar,dos erros que cometi e não me arrependi,afinal me trouxeram até aqui,e onde é aqui?
Hoje lembrei do Maranhão,da menina do vestido velho,dos cachorros e gatos,das árvores e das estradas,e das caras da gente que não mais vi,como estarão hoje?
Me peguei com uma certeza única e exata,sei que,ao fim do dia,terei muito mais a escrever,a amar,a fazer.E já não me surpreendo com a tristeza,me disseram que a vida é cíclica e às vezes eu concordo.Jamais terei pena,jamais poderei voar,o que não diz se eu tenho asas ou não,sou na verdade,um anjo paralítico,e pra quê ser anjo? ...sou é um pobre diabo.
Eu enxerguei os preconceitos mais sujos nas pessoas mais limpas,ah,essa gente de "cabeça aberta" tem uma cuca tão dura.E falar em vovó,sempre sentada com seu "porrete".Não julgue as pessoas,elas realmente são meras crianças inocentes,por outro lado,as "crianças inocentes" são espertas criaturas dançando e se exibindo para a impunidade de ser pequeno e pronto.Tô pensando pra onde vai a lama,essa nossa.Os nossos gritos até onde alcançam,nossas vontades não realizadas,onde vão parar?
Eu quero mais,quero fazer crônicas,quero ser crônico,mas nem tanto,a gente quer sempre resolver tudo,ser algo perto do perfeito,ser "aquela Coca-Cola toda",mas eu ficaria satisfeito em somente ser aquele simples copo d'água que lhes quebra o galho e lhes causa o melhor sentimento do mundo,matar a sede,pois,amar é com vocês.
Allan Bonfim.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Lama Nas Ruas
Deixa
desaguar tempestade
Inundar a cidade
Porque arde um sol dentro de nós
Queixas
sabes que não temos
E seremos serenos
Sentiremos prazer no tom da nossa voz
Veja
o olhar de quem ama
Não reflete um drama,não
É a expressão mais sincera,sim
Vim pra provar que o amor quando é puro
Desperta e alerta o mortal
Aí é que o bem vence o mal
Deixa a chuva cair,que o bom tempo há de vir
Quando o amor decidir mudar o visual
Trazendo a paz no sol
Que importa se o tempo lá fora vai mal
Que importa?
Se há
tanta lama nas ruas
E o céu
é deserto e sem brilho de luar
Se o clarão da luz
Do teu olhar vem me guiar
Conduz meus passos
Por onde quer que eu vá
Almir Guineto e Zeca Pagodinho.
------------------*------------------
Hoje eu iria publicar-lhes uns versos bobos que escrevi,porém com esta calamidade que sofre a minha Cidade,decidi pela letra desta bela música que ouvi.
À população da região serrana,desejo os meus sentimentos mais puros e muita coragem,força sorte porque hão de precisar.
Allan Bonfim.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O Poeta e O Malandro [FINAL]
Já de manhã no Green Pallace,Jânio acordou e,ao olhar o lado vazio da cama,sentiu falta da mulher que não deixava cheiro ou marca,perguntei então ao Poeta como era possível eles ficarem acordados toda a noite e o tal nem notar a moça saindo,ele sorriu e emendou que ela havia ido comprar o pão,mas logo voltara.Foi mentira,disso eu sei pois tomava um café no Bar do Braga quando um belo par de pernas e coxas,um bumbum roliço,uma equilibrada silhueta e aqueles cabelos ruivos passaram frente ao bar,em direção a um táxi que não se sabia onde ia.
Enquanto isso,o Malandro rodava pelos arredores da cidade dentro de um Ford com seu companheiro de aparte,mais malandro ainda.Durante a viagem,quase que interminável pelas ruas da cidade maravilhosa com o fim de despistar os homens sombrios,o Zé ficou sabendo de toda a história,ou pelo menos,a parte que lhe competia da história sobre Raimundo Star, (não falaram nada sobre padres,batinas ou estrangeiros) na verdade,Zé percebeu e/ou descobriu que haviam dois homens o seguindo a dois dias,estes,capangas de um grande contrabandista de bebidas que eram acionados toda vez que um fornecedor saía da linha,este seria Raimundo Star,de acordo com o Zé.
Franco e Epitáfio eram assassinos de aluguel contratados a menos de um ano pelo pessoal do tal contrabandista,faziam de tudo aqui pelo Brasil,matavam,seguiam,vigiavam e uma vez ou outra até contrabandeavam já que,naquela época,o contrabando de bebidas perdia força para o de cigarros e charutos.Sem sombra de dúvida tiveram uma infância fracassada e quiçá infeliz e viram enganadamente a "luz no fim do túnel" quando descobriram o negócio que dava dinheiro e não exigia nenhuma inteligência ou trabalho duro,apenas coragem e sangue frio.
O Malandro chegou ao apartamento às 18:37,e já era noite,e a noite era escura,e escuras eram as capas de Franco e Epitáfio que,escondidos entre os muros do prédio,se confundiam com a noite,os assassinos baratos tinham ali,o cenário perfeito para o que planejaram por toda a tarde,um assassinato,talvez se houvesse algo errado,até dois,não daria trabalho algum,colocariam no relatório e seriam devidamente,ou como se tratava de dinheiro sujo,seriam indevidamente pagos.A missão era simples,matar Star,levar sua arma,seu cordão e o dinheiro que ele havia desviado.Só tinha um problema,não sabiam eles que o homem que subia as escadas trajando um casaco,chapéu e um cordão de estrela,não era Star e sim o Malandro enganado por Star que contou a ele que jamais atirariam se pensassem que Zé fosse ele,pobre Malandro.
Pela mesma hora o Poeta descansava pelo Arpoador,ponto de encontro dos casais apaixonados na época,na verdade,procurava por Débora,e procurou por toda a cidade,mas não a encontrou,não naquele dia.
Débora esperava frente a porta do apartamento,após bater pela terceira vez já ia se virando para ir embora quando surgiu das escadas um sujeito esquisito de chapéu,casaco e um cordão de estrela com um material que imitava diamantes,era Zé.Ela lhe tirou o chapéu e deu um abraço apertado desses que recebemos de nossos amores quando ficamos muito tempo longe,o abraço durou pouco mais de 20 e poucos segundos,mas foi o bastante para que Franco e Epitáfio vissem a cena e tivessem a certeza de que aquele não era Star,pois,além de Zé não parecer em nada com Star sem o chapéu,todos sabiam que mulheres não eram bem o seu gosto,Zé adentrou o apartamento com Débora,os dois capangas permaneceram espreitando à porta.
Raimundo Star era esperto,enrolou Zé porquê sabia que,se pensassem que ele havia voltado,concerteza o seguiriam e ele avistaria os dois,dito e feito,arrancou com o carro pra Dom Pedro II,lugar onde marcou com Zé.É claro que sabia que,pelas circunstâncias,Zé jamais chegaria vivo até lá com o dinheiro,na verdade,Star já tinha marcado há dias atrás com um velho conhecido que conseguia passagens de trem,ele viajaria pra São Paulo,onde ficaria por um tempo até ser esquecido.Um táxi se aproximou e parou do outro lado da rua,piscou os faróis,Star então reparou no relógio e saiu do Ford pronto para pegar as passagens e se mandar,a porta o táxi se abriu,de dentro dele saíram duas pessoas que Star não esperava,seus olhos espantados flagraram o medo e a surpresa.
Jânio chegava em frente ao Green Pallace,desanimado,cansado e cheio de pensamentos em sua cabeça,pensava em Gabriela,pensava em seus pais,nos filhos que nunca teve,mas acredito que o que ele mais pensava era na ruiva e arrebatadora Débora Andrade.
Débora Andrade,mulher altiva e inteligente,fez tremer Raimundo quando saltou do táxi acompanhada de Zé.O bandido ficou parado observando a linda mulher e imaginando quem ela era,ficou imaginando como Zé teria escapado dos capangas.Ela fez uma festa com o pobre ladrão,disse que era da polícia,uma detetive,que o lugar estava cercado e exigiu que ele lhe entregasse a arma se não quisesse por fim levar um tiro,é claro que ele o fez.Imediatamente Débora agarrou a arma e saudou Star com toda a verdade,Zé lhe tomou o revólver e entre risos falava alto à Raimundo debochando da situação,Raimundo que tentou alguma reação,desistiu totalmente assim que viu no meio da escuridão surgir as silhuetas de mais duas pessoas,estas,Franco e Epitáfio que tinham um ar sorridente e macabro e na mão todo o dinheiro que,por Star,fora desviado.O problema estava todo resolvido,apesar de Zé não contar como Débora fez pra que os dois saíssem do apartamento com vida,os capangas tinham o dinheiro e Star,porém houve um impasse.
Franco e Epitáfio haviam sido ordenados a matar Star,recuperar o dinheiro,pegar o cordão e o revólver característico,foi aí que tudo desandou,pois o Malandro não quis entregar a arma temendo por sua vida e pela de Débora,Franco se irritou e sacou sua pistola,o Malandro jogou tudo pro alto e disparou contra Franco,Débora o agarrou e o puxou para dentro do táxi,Raimundo que era viado e não besta,correu como um louco e Epitáfio,na dúvida,disparou contra o táxi,Franco na agilidade e sede de sangue,acertou dois tiros em Star que caiu morto.
Zé gargalhava ofegante dentro do táxi,agradecendo à Débora que não sabia se lhe agradecia ou se brigava pelos tiros que ele deu,porém,aos poucos o Malandro parou de sorrir mas continuou ofegante,sua face mudou,algo em seu abdómen incomodava,ao olhar,Débora viu,era uma bala.
Franco e Epitáfio comemoravam no meio da rua,pois apesar de não terem o revólver,já tinham completado grande parte da missão,e afinal,depois poderiam pensar em recuperar,foi o que pensaram,pois logo as estridentes sirenes dos carros de polícia surpreenderam os dois que foram levados presos,souberam dias depois que a denúncia partiu das imediações da praça Dom Pedro II,por parte de um mendigo que fora procurado e pago por uma senhora ruiva horas antes do tal encontro.
Jânio já cochilava na poltrona com uma taça de vinho na mão,quando ouviu desesperadas batidas na porta de seu apartamento,imediatamente acordou por pensar se tratar de Débora,abriu a porta e tomou um susto,pois além se sua linda ruiva,se encontrava um homem ensanguentado que mais tarde percebeu ser o garçon falante do Copacabana's Bar.Débora sabia das habilidades médicas de Jânio que mesmo sem entender nada,cuidou de Zé e lhe retirou a bala e também o expulsou na tarde seguinte depois de saber toda a história.
O tempo passou,Poeta e Malandro compartilhavam a mesma poesia,a mesma malandragem,Débora Andrade,e ela definitivamente era a única coisa que eles dividiam,pois o Malandro se mudou para a Tijuca,saiu do Copacabana's Bar,o Poeta não era muito de frequentar o Clube Tropical,mas,quando se encontravam,era uma explosão nuclear,e olha que na época nem se tinha disso...o encontro que ficou marcado para sempre foi a batalha da Praça Do Xadrez,vindo da Lapa,o Malandro deu de cara com o Poeta que vinha de um festa não sei onde,os dois alterados pelo álcool embrenharam-se numa briga que parecia mais uma dança lengo-lengo,nem ao menos acertaram um soco sequer,o pessoal do Bar do Braga nem foi separar de tanto que riu,até que os dois caíram no chão e rolaram desordenados até caírem no sono (nem o Jânio,nem Zé confirmam esta história até hoje,mas eu vi),primeiro lá pras cinco acordou Zé,ajeitou o terno e foi pra casa,depois às seis e pouca,levantou Jânio que recuperou sua boina e foi tomar café no Braga.
Passaram-se 8 meses e não é que os dois se encontraram novamente,desta vez,estranhamente chegaram na mesma hora,como um encontro marcado,mas não se falaram,sentou cada um pro seu lado.Do bar eu ria junto com alguns amigos,olhavam para um lado e para o outro inquietamente,como se esperassem alguém ou algo,eis que surge um moleque,trajando sujo e com um bilhete na mão,eles,mais tarde disseram que o tal bilhete era de Débora,ficaram lá lendo e relendo o bilhetinho,pareciam meninos tristes,desolados,a mulher ruiva das belas curvas praticou a maldade de deixar dois corações apenas com um bilhete,que dizia:
Enquanto isso,o Malandro rodava pelos arredores da cidade dentro de um Ford com seu companheiro de aparte,mais malandro ainda.Durante a viagem,quase que interminável pelas ruas da cidade maravilhosa com o fim de despistar os homens sombrios,o Zé ficou sabendo de toda a história,ou pelo menos,a parte que lhe competia da história sobre Raimundo Star, (não falaram nada sobre padres,batinas ou estrangeiros) na verdade,Zé percebeu e/ou descobriu que haviam dois homens o seguindo a dois dias,estes,capangas de um grande contrabandista de bebidas que eram acionados toda vez que um fornecedor saía da linha,este seria Raimundo Star,de acordo com o Zé.
Franco e Epitáfio eram assassinos de aluguel contratados a menos de um ano pelo pessoal do tal contrabandista,faziam de tudo aqui pelo Brasil,matavam,seguiam,vigiavam e uma vez ou outra até contrabandeavam já que,naquela época,o contrabando de bebidas perdia força para o de cigarros e charutos.Sem sombra de dúvida tiveram uma infância fracassada e quiçá infeliz e viram enganadamente a "luz no fim do túnel" quando descobriram o negócio que dava dinheiro e não exigia nenhuma inteligência ou trabalho duro,apenas coragem e sangue frio.
O Malandro chegou ao apartamento às 18:37,e já era noite,e a noite era escura,e escuras eram as capas de Franco e Epitáfio que,escondidos entre os muros do prédio,se confundiam com a noite,os assassinos baratos tinham ali,o cenário perfeito para o que planejaram por toda a tarde,um assassinato,talvez se houvesse algo errado,até dois,não daria trabalho algum,colocariam no relatório e seriam devidamente,ou como se tratava de dinheiro sujo,seriam indevidamente pagos.A missão era simples,matar Star,levar sua arma,seu cordão e o dinheiro que ele havia desviado.Só tinha um problema,não sabiam eles que o homem que subia as escadas trajando um casaco,chapéu e um cordão de estrela,não era Star e sim o Malandro enganado por Star que contou a ele que jamais atirariam se pensassem que Zé fosse ele,pobre Malandro.
Pela mesma hora o Poeta descansava pelo Arpoador,ponto de encontro dos casais apaixonados na época,na verdade,procurava por Débora,e procurou por toda a cidade,mas não a encontrou,não naquele dia.
Débora esperava frente a porta do apartamento,após bater pela terceira vez já ia se virando para ir embora quando surgiu das escadas um sujeito esquisito de chapéu,casaco e um cordão de estrela com um material que imitava diamantes,era Zé.Ela lhe tirou o chapéu e deu um abraço apertado desses que recebemos de nossos amores quando ficamos muito tempo longe,o abraço durou pouco mais de 20 e poucos segundos,mas foi o bastante para que Franco e Epitáfio vissem a cena e tivessem a certeza de que aquele não era Star,pois,além de Zé não parecer em nada com Star sem o chapéu,todos sabiam que mulheres não eram bem o seu gosto,Zé adentrou o apartamento com Débora,os dois capangas permaneceram espreitando à porta.
Raimundo Star era esperto,enrolou Zé porquê sabia que,se pensassem que ele havia voltado,concerteza o seguiriam e ele avistaria os dois,dito e feito,arrancou com o carro pra Dom Pedro II,lugar onde marcou com Zé.É claro que sabia que,pelas circunstâncias,Zé jamais chegaria vivo até lá com o dinheiro,na verdade,Star já tinha marcado há dias atrás com um velho conhecido que conseguia passagens de trem,ele viajaria pra São Paulo,onde ficaria por um tempo até ser esquecido.Um táxi se aproximou e parou do outro lado da rua,piscou os faróis,Star então reparou no relógio e saiu do Ford pronto para pegar as passagens e se mandar,a porta o táxi se abriu,de dentro dele saíram duas pessoas que Star não esperava,seus olhos espantados flagraram o medo e a surpresa.
Jânio chegava em frente ao Green Pallace,desanimado,cansado e cheio de pensamentos em sua cabeça,pensava em Gabriela,pensava em seus pais,nos filhos que nunca teve,mas acredito que o que ele mais pensava era na ruiva e arrebatadora Débora Andrade.
Débora Andrade,mulher altiva e inteligente,fez tremer Raimundo quando saltou do táxi acompanhada de Zé.O bandido ficou parado observando a linda mulher e imaginando quem ela era,ficou imaginando como Zé teria escapado dos capangas.Ela fez uma festa com o pobre ladrão,disse que era da polícia,uma detetive,que o lugar estava cercado e exigiu que ele lhe entregasse a arma se não quisesse por fim levar um tiro,é claro que ele o fez.Imediatamente Débora agarrou a arma e saudou Star com toda a verdade,Zé lhe tomou o revólver e entre risos falava alto à Raimundo debochando da situação,Raimundo que tentou alguma reação,desistiu totalmente assim que viu no meio da escuridão surgir as silhuetas de mais duas pessoas,estas,Franco e Epitáfio que tinham um ar sorridente e macabro e na mão todo o dinheiro que,por Star,fora desviado.O problema estava todo resolvido,apesar de Zé não contar como Débora fez pra que os dois saíssem do apartamento com vida,os capangas tinham o dinheiro e Star,porém houve um impasse.
Franco e Epitáfio haviam sido ordenados a matar Star,recuperar o dinheiro,pegar o cordão e o revólver característico,foi aí que tudo desandou,pois o Malandro não quis entregar a arma temendo por sua vida e pela de Débora,Franco se irritou e sacou sua pistola,o Malandro jogou tudo pro alto e disparou contra Franco,Débora o agarrou e o puxou para dentro do táxi,Raimundo que era viado e não besta,correu como um louco e Epitáfio,na dúvida,disparou contra o táxi,Franco na agilidade e sede de sangue,acertou dois tiros em Star que caiu morto.
Zé gargalhava ofegante dentro do táxi,agradecendo à Débora que não sabia se lhe agradecia ou se brigava pelos tiros que ele deu,porém,aos poucos o Malandro parou de sorrir mas continuou ofegante,sua face mudou,algo em seu abdómen incomodava,ao olhar,Débora viu,era uma bala.
Franco e Epitáfio comemoravam no meio da rua,pois apesar de não terem o revólver,já tinham completado grande parte da missão,e afinal,depois poderiam pensar em recuperar,foi o que pensaram,pois logo as estridentes sirenes dos carros de polícia surpreenderam os dois que foram levados presos,souberam dias depois que a denúncia partiu das imediações da praça Dom Pedro II,por parte de um mendigo que fora procurado e pago por uma senhora ruiva horas antes do tal encontro.
Jânio já cochilava na poltrona com uma taça de vinho na mão,quando ouviu desesperadas batidas na porta de seu apartamento,imediatamente acordou por pensar se tratar de Débora,abriu a porta e tomou um susto,pois além se sua linda ruiva,se encontrava um homem ensanguentado que mais tarde percebeu ser o garçon falante do Copacabana's Bar.Débora sabia das habilidades médicas de Jânio que mesmo sem entender nada,cuidou de Zé e lhe retirou a bala e também o expulsou na tarde seguinte depois de saber toda a história.
O tempo passou,Poeta e Malandro compartilhavam a mesma poesia,a mesma malandragem,Débora Andrade,e ela definitivamente era a única coisa que eles dividiam,pois o Malandro se mudou para a Tijuca,saiu do Copacabana's Bar,o Poeta não era muito de frequentar o Clube Tropical,mas,quando se encontravam,era uma explosão nuclear,e olha que na época nem se tinha disso...o encontro que ficou marcado para sempre foi a batalha da Praça Do Xadrez,vindo da Lapa,o Malandro deu de cara com o Poeta que vinha de um festa não sei onde,os dois alterados pelo álcool embrenharam-se numa briga que parecia mais uma dança lengo-lengo,nem ao menos acertaram um soco sequer,o pessoal do Bar do Braga nem foi separar de tanto que riu,até que os dois caíram no chão e rolaram desordenados até caírem no sono (nem o Jânio,nem Zé confirmam esta história até hoje,mas eu vi),primeiro lá pras cinco acordou Zé,ajeitou o terno e foi pra casa,depois às seis e pouca,levantou Jânio que recuperou sua boina e foi tomar café no Braga.
Passaram-se 8 meses e não é que os dois se encontraram novamente,desta vez,estranhamente chegaram na mesma hora,como um encontro marcado,mas não se falaram,sentou cada um pro seu lado.Do bar eu ria junto com alguns amigos,olhavam para um lado e para o outro inquietamente,como se esperassem alguém ou algo,eis que surge um moleque,trajando sujo e com um bilhete na mão,eles,mais tarde disseram que o tal bilhete era de Débora,ficaram lá lendo e relendo o bilhetinho,pareciam meninos tristes,desolados,a mulher ruiva das belas curvas praticou a maldade de deixar dois corações apenas com um bilhete,que dizia:
"Deixo este bilhete como lembrança aos meus amores,
aos meus amigos.
Não digo que parto,nem digo que fico.
Vou sair por aí a procurar um novo lugar,
para estar e conquistar.
Vou seguir pela estrada sempre lembrando,
do vosso cuidado,do vosso carinho,
do vosso acalanto.
Termino a despedida afirmando
que lhes sigo amando,
mas já não suporto,o antes divertido,triângulo.
um tchau pro Poeta,um até ao Malandro."
Lembro que nesse dia,os dois beberam como nunca,e também conversaram como nunca,nascia uma amizade que iria perdurar por anos,é claro que depois apareceram,pro Malandro,a Rita,e pro Poeta,a Dora,mas isso é outra história,porque nada me tira da cabeça a imagem dos dois velhinhos andando pela praia sempre a procurar o belo par de pernas e coxas,o bumbum roliço e a equilibrada silhueta,seio medianos,pescoço longo,cabelos ruivos e o tais olhos castanhos que faziam qualquer um se sentir culpado por não conhecer aquela dádiva antes.
Allan Bonfim.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A vida esfria pela manhã
Pela manhã a vida esfria,sabendo disso a Luiza logo chama Pedro:
- Pedro vem tomar café,o pão tá na mesa,vem pedro !
- ...
- PEDRO !!! café vai esfriar,vem tomar café,pedro !!!
- Já vô...mulher chata.
- Chata é dona sua mãe,café tá quente Pedro,vem logo,por favor !
E o pensamento de Luiza rolava:
- Vem pedro,vem que a vida esfria com o vento do tempo,
a vida,as lembranças,todo o meu querer
- Vem pedro,que o amor tá morno,já pedindo mais lenha,
ele quer mais carinho,mais cuidado e atenção
- Pedro,não repara o meu cabelo,tive que assim sair,
pra pegar a primeira remessa de pão
- Olha Pedro,tem queijo e mortadela,maitega e nutella,
só não me faz esperar assim
- Amor,presta atenção,vê se passa manteiga no pão,
vê se vem pra perto de mim
- Bom dia !
- Bom.
- Tem queijo e...
- Esse café tá frio !!!
- ...
- Ouviu?!?!
- Eu esquento pra você,amor.
E o pensamento de Luiza chorava:
- Sempre que precisar,amor,o café,o querer,
o pão,a paixão,sempre que precisar eu esquento
É,cuida de Luiza,Pedro.Mulher assim você não encontra mais na vida,que esquenta o café,o amor,pão,que te dá carinho e até faz bolinho se precisar,se você precisar.
Allan Bonfim.
- Pedro vem tomar café,o pão tá na mesa,vem pedro !
- ...
- PEDRO !!! café vai esfriar,vem tomar café,pedro !!!
- Já vô...mulher chata.
- Chata é dona sua mãe,café tá quente Pedro,vem logo,por favor !
E o pensamento de Luiza rolava:
- Vem pedro,vem que a vida esfria com o vento do tempo,
a vida,as lembranças,todo o meu querer
- Vem pedro,que o amor tá morno,já pedindo mais lenha,
ele quer mais carinho,mais cuidado e atenção
- Pedro,não repara o meu cabelo,tive que assim sair,
pra pegar a primeira remessa de pão
- Olha Pedro,tem queijo e mortadela,maitega e nutella,
só não me faz esperar assim
- Amor,presta atenção,vê se passa manteiga no pão,
vê se vem pra perto de mim
- Bom dia !
- Bom.
- Tem queijo e...
- Esse café tá frio !!!
- ...
- Ouviu?!?!
- Eu esquento pra você,amor.
E o pensamento de Luiza chorava:
- Sempre que precisar,amor,o café,o querer,
o pão,a paixão,sempre que precisar eu esquento
É,cuida de Luiza,Pedro.Mulher assim você não encontra mais na vida,que esquenta o café,o amor,pão,que te dá carinho e até faz bolinho se precisar,se você precisar.
Allan Bonfim.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O Poeta e O Malandro Cap. 2
Débora Andrade era jornalista feito Gabriela,escrevia sobre assuntos políticos e famosidades.Vinha de uma família do interior,com pouca renda,porém seu pai se esforçou até o último suspiro para pagar-lhe a faculdade particular de letras em Portugal,e ela reconheceu o esforço se formando com a melhor média de notas de seu curso.Logo conseguiu um emprego no,hoje reformulado,Gazeta De Notícias,um jornal de tradição na época,pelo qual tinham passado grandes nomes como Euclides da Cunha,Machado de Assis e o próprio Janini.Lá fez uma consistente carreira e foi indicada a trabalhar pela Revista Da Semana,como editora chefe,entre boatos e verdades sobre um possível caso dela com o Diretor do Gazeta De Notícias,Débora deixou o jornal,causando espanto à muita gente.Foi aí que se dedicou a poesia e a estudar a fundo a literatura,já que assim,com sua nova posição,sobrava-lhe tempo livre.
Foi um dia difícil pra Zé,aquele em que Janini conheceu Débora.Me disse que uma hora ele estava lá,com uma linda mulher aos seus pés,em sua cama,mas não era "dessas",ela era diferente,suave,outra hora lá estava ele,observando o que parecia a mesma mulher,falando com interesse àquele senhor que se sentava todos os dias na mesma mesa,agora ela era arrebatadora,pungente em sua frieza,disse ele pra mim que ela saiu com o tal velho e nem disse pra onde ia,foi a primeira vez que,uma mulher,nas palavras dele "magoou o malandro".E Zé saiu cedo,já bebia às cinco,chutou a porta do apartamento e deu de cara com um revólver em cima da mesinha de centro,o revólver era prateado e ao lado do tambor possuía as letras STAR,ele começava a descobrir a outra face de seu companheiro de aparte.
Raimundo Star,se chamava por nascença e identidade,Raimundo Maria Jacobino Da Anunciação,vinha da Paraíba fugido de seu pai e seus tios,grandes fazendeiros e coronéis que queriam lhe tirar couro depois de saber que ele fazia artes duvidosas sob a batina do padre da região,definitivamente constataram que no batismo,o único nome que sua mãe acertara foi o de "Maria".O apelido "Star" veio de um inglês que conheceu Raimundo no período em que ainda se adaptava ao Rio,usando a boca e o rabo para se alimentar,numa ordem totalmente inversa a convencional.O gringo ficou fixado no cordão de prata de Raimundo,que sustentava uma considerável estrela de diamantes,por vezes tentou até comprar,mas Raimundo,mesmo precisando e sendo um completo pilantra,sempre negou à todos a venda do cordão,dizia que era a única lembrança lhe restara de sua mãe.Levou um susto ao chegar frente ao apartamento e encontrar a porta escancarada,e um susto maior ainda quando não encontrou a arma que deixara ali,minutos atrás.Enquanto isso,pelo lance oposto de escadas,Zé descia quase tonto com o revólver na cintura totalmente visível,passou pela portaria e nem reparou nos dois sujeitos de ares sombrios que o encararam e pareciam reconhecer a arma.Naquela noite Zé foi "à forra".
No Green Pallace,pela primeira vez o apartamento 88 não apagou suas luzes,Jânio se divertia com aquela jovem mulher que lhe falava versos,e lhe provocava ao pé do ouvido.O Poeta me falou depois que foram pra cama em seguida e ficaram acordados a noite inteira,nunca acreditei muito nisso.Mas também nunca vi Débora de novo para perguntar,sei de gente que ficou acordada aquela noite.
Zé chegava pela Lapa lá pela onze,com três meninas que o agarravam para ele não cair,se sentou frente ao bar do moreno e logo apareceu um pra se opor ao revólver na cintura.Foi aí que o Malandro o puxou e levantou seu cano prata pro céu.Foi a cena mais engraçada da noite,ele desandou a dar tiros pro alto e o "maurício" de terno alinhado não sabia se ficava pra manter a pose ou se corria pra salvar a vida,decidiu por correr,e como corria o moço da brilhantina.Logo podia se ouvir apitos que indicavam que os patrulhas,guardas que rondavam a lapa,estariam chegando,fatalmente Zé seria preso,mas,alguém de capa escura e um cordão de estrela o puxou pra dentro de um Ford às onze e quarenta.Ao chegarem,tudo que os patrulhas encontraram foram alguns copos quebrados e gente que não queria falar,nem notaram os dois sujeitos de ares sombrios que destoavam do lugar e das pessoas que ali estavam.
continua...
Allan Bonfim.
Foi um dia difícil pra Zé,aquele em que Janini conheceu Débora.Me disse que uma hora ele estava lá,com uma linda mulher aos seus pés,em sua cama,mas não era "dessas",ela era diferente,suave,outra hora lá estava ele,observando o que parecia a mesma mulher,falando com interesse àquele senhor que se sentava todos os dias na mesma mesa,agora ela era arrebatadora,pungente em sua frieza,disse ele pra mim que ela saiu com o tal velho e nem disse pra onde ia,foi a primeira vez que,uma mulher,nas palavras dele "magoou o malandro".E Zé saiu cedo,já bebia às cinco,chutou a porta do apartamento e deu de cara com um revólver em cima da mesinha de centro,o revólver era prateado e ao lado do tambor possuía as letras STAR,ele começava a descobrir a outra face de seu companheiro de aparte.
Raimundo Star,se chamava por nascença e identidade,Raimundo Maria Jacobino Da Anunciação,vinha da Paraíba fugido de seu pai e seus tios,grandes fazendeiros e coronéis que queriam lhe tirar couro depois de saber que ele fazia artes duvidosas sob a batina do padre da região,definitivamente constataram que no batismo,o único nome que sua mãe acertara foi o de "Maria".O apelido "Star" veio de um inglês que conheceu Raimundo no período em que ainda se adaptava ao Rio,usando a boca e o rabo para se alimentar,numa ordem totalmente inversa a convencional.O gringo ficou fixado no cordão de prata de Raimundo,que sustentava uma considerável estrela de diamantes,por vezes tentou até comprar,mas Raimundo,mesmo precisando e sendo um completo pilantra,sempre negou à todos a venda do cordão,dizia que era a única lembrança lhe restara de sua mãe.Levou um susto ao chegar frente ao apartamento e encontrar a porta escancarada,e um susto maior ainda quando não encontrou a arma que deixara ali,minutos atrás.Enquanto isso,pelo lance oposto de escadas,Zé descia quase tonto com o revólver na cintura totalmente visível,passou pela portaria e nem reparou nos dois sujeitos de ares sombrios que o encararam e pareciam reconhecer a arma.Naquela noite Zé foi "à forra".
No Green Pallace,pela primeira vez o apartamento 88 não apagou suas luzes,Jânio se divertia com aquela jovem mulher que lhe falava versos,e lhe provocava ao pé do ouvido.O Poeta me falou depois que foram pra cama em seguida e ficaram acordados a noite inteira,nunca acreditei muito nisso.Mas também nunca vi Débora de novo para perguntar,sei de gente que ficou acordada aquela noite.
Zé chegava pela Lapa lá pela onze,com três meninas que o agarravam para ele não cair,se sentou frente ao bar do moreno e logo apareceu um pra se opor ao revólver na cintura.Foi aí que o Malandro o puxou e levantou seu cano prata pro céu.Foi a cena mais engraçada da noite,ele desandou a dar tiros pro alto e o "maurício" de terno alinhado não sabia se ficava pra manter a pose ou se corria pra salvar a vida,decidiu por correr,e como corria o moço da brilhantina.Logo podia se ouvir apitos que indicavam que os patrulhas,guardas que rondavam a lapa,estariam chegando,fatalmente Zé seria preso,mas,alguém de capa escura e um cordão de estrela o puxou pra dentro de um Ford às onze e quarenta.Ao chegarem,tudo que os patrulhas encontraram foram alguns copos quebrados e gente que não queria falar,nem notaram os dois sujeitos de ares sombrios que destoavam do lugar e das pessoas que ali estavam.
continua...
Allan Bonfim.
domingo, 25 de julho de 2010
O Poeta e O Malandro Cap. 1
Pelos tempos que morei no extinto hotel Republic em Copacabana,observei uma dupla um tanto quanto curiosa,que vivia entre a Costa e Silva e a Manoel Barros,ruas bem badaladas na época.Essa badalação não era a toa,numa esquina dessas ruas localizava-se o Clube Tropical,tal clube era frequentado por grandes nomes do rádio e do cinema,além de tietes que lotavam a portaria atrás de um casamento ou uma simples aventura.Confesso que por algumas noites adentrei o recinto que tinha salsa,bolero,samba e tchá-tchá-tchá,mas isso não é sobre o Clube Tropical,é sobre O Poeta e O Malandro.
Jânio Bonifácio era formado doutor em Medicina pela Universidade do Rio De Janeiro,hoje,Universidade do Brasil ou UFRJ,porém pouco utilizou sua formação como trabalho pois sua paixão estava mesmo nas letras,ou melhor,nas palavras que estas compunham,foi então que se formou em Literatura e a partir daí não parou mais,primeiro foi colunista de um jornal muito lido na época,depois passou a publicar nesse mesmo jornal poemetos e poesias de sua própria autoria mas que assinava com o pseudônimo de Janini.Na época em que trabalhou no jornal conheceu Gabriela com quem viveu os vinte anos mais felizes de sua vida.Os poemas de Janini fizeram tanto sucesso que eram recitados em intervalos de um famoso programa de rádio daquela época,o locutor ao convidar o poeta a se apresentar na rádio ficou surpreso ao ver que Janini era homem.Ao se mostrar para o mundo Janini sempre fora convidado para as mais belas festas com astros do cinema e belas vozes do rádio,foi em uma dessas festas que Janini ganhou o apelido de "O Poeta".Foi convidado pela editora Casa Azul a publicar seus poemas em livros,e a empreitada deu certo,foi um sucesso de vendas em quase todas as edições,Janini tratava de temas cotidianos com extrema leveza e harmonia,foram muito os livros que seguiram com sua assinatura até ser reconhecido em Paris e ter sua obra divulgada lá.Um de seus livros mais lidos foi "Gabriela,a menina do jornal do dia seguinte",um livro que ele escreveu anos depois de seu grande amor falecer.
Mesmo com muito dinheiro Jânio sempre foi muito humilde,apesar de ter sido concebido em uma família bem rica,saiu do apartamento que,lhe foi dado pelo pai em recompensa a formação em medicina,se localizava em Ipanema,mudando-se para um de tamanho reduzido,porém,que supria exatamente suas necessidades,alguns acham que um dos motivos da mudança fora que o antigo apartamento lhe trazia lembranças de Gabriela,este ficava no edifício Green Pallace,número 2567,era um edifício de 22 andares na Rua Manoel Barros que tinha na sua fachada pedrinhas de cor esverdeada que quando rebatiam a luz solar reluziam feito diamantes,o apartamento de Jânio tinha,como todos,sua varanda para a rua,onde ele passava suas noites depois de escrever ou somente observar o dia inteiro na calçada.
José Silva Ferreira tinha seu currículo escolar encerrado no 3º ano do ginasial,atual 9º ano do ensino fundamental,trabalhava em um bar-restaurante na Rua Costa e Silva,que era frequentado de dia,por jornalistas e executivos das redondezas e a noite por bôemios e sujeitos ricos com suas putas de aluguel.No alto de seus 21 anos levava uma boa vida e dividia um apartamento em Ipanema com um amigo que mais tarde iria lhe trazer problemas.
Sua vida na infância foi como a de muitos brasileiros,família pobre,casa simples e pais trabalhadores,apesar de ter largado cedo a escola possuía um inteligente desenrolar de língua,qualquer um que não o conhecesse diria facilmente que se tratava de um locutor de rádio,ou até um doutor não sei de quê,o fato é que isso lhe ajudava bastante em seu trabalho,os clientes do lugar gostavam do garçom simpático que lhes servia drinques tagarelando sem parar,sabia um pouco de tudo,moda,cinema,literatura,discoteca e praia,tudo que um garçom de um bar-restaurante em copa precisava saber.
À noite José saía pra se divertir,rodava por toda a parte boêmia da cidade conhecia os melhores bares,botecos e discotecas,mas tinha preferência,andava muito pela Lapa,dizem até que o apelido de "O Malandro" foi lhe dado lá,mas,além disso era ali onde conhecia a maioria de suas jovens e enxutas companhias de alguns meses,de semanas,de dias,mas gostava mesmo era do Clube Tropical,onde era o "rei da pista",não havia menininha que não olhasse quando gritavam "O Malandro chegou" e apesar de sempre estar cercado por belas mulheres era um solitário,e não que não gostasse,na verdade,acreditava que sempre se deu bem com todas as mulheres justamente por não ter compromisso com nenhuma,foi então que conheceu Débora.
Jânio passava os dias na calçada de sua casa e,de vez enquando,enquanto procurava conteúdo para seus poemas e poesias,passeava pela praia ou pelos bares nos arredores,um de seus preferidos era o Copacabana's BAR,onde Zé Ferreira trabalhava.Por ser sozinho desde que sua mulher morrera,gostava do contato com gente fosse apenas por um olhar ou por palavras,e palavras Zé Ferreira tinha de sobra.Ficava ali sentado na mesa do canto observando o Zé falando e gesticulando,contando seus 'causos' para os outros clientes que riam como desesperados,alguns acreditando nas histórias,outros achando que ele não passava de um malandro.Ao terminar sua sobremesa Jânio se levantava e com sua boina marron saía lentamente do recinto,seus 63 anos lhe gritavam,mas sua aparência era galante e tinha lá uma bela 'persona'.Sempre foi conhecido pelas redondezas como um sujeito simpático porém misantrópico,pois não era de sair a noite e não fora visto sequer uma vez com amigos ou algo parecido,seu plano era viver em rotina,esperando que a morte o alcançasse e ele pudesse finalmente encontrar Gabriela,foi então que conheceu Débora.
Zé Ferreira dividia o apartamento com um amigo de nome Raimundo Star,que diziam ter esse nome da época que dava o rabo lá pelos lados da Dom Pedro II,hoje Central do Brasil,diziam também que além de bicheiro o cara era metido com contrabando de bebidas mas Zé nunca deu ouvidos,aliás Star nunca deixou de pagar o aluguel e ainda lhe emprestava algum se Zé não tinha dinheiro pra noite.A vida de Zé era 'como queira',pegava às 11:00 no Copacabana's BAR e saía dependendo do movimento às 19:30,aí enfim sua noite começava,e foi numa dessas noites que lhe apresentaram a Débora,um belo par de pernas e coxas,com o bumbum roliço e uma equilibrada silhueta,seios medianos,pescoço longo,cabelos ruivos e olhos castanhos que te faziam sentir culpado por não conhecer aquela dádiva antes.E Zé logo levou Débora e pôs-se a redimir sua culpa em seu apartamento,quando acordou,apenas parecia que transara só a noite inteira,ela não deixou cheiro,não deixou marca alguma.
Um dia,Jânio me disse que caminhou até a sacada e sentiu uma beleza especial no dia que ia nascendo,besteira de poeta,aquele dia foi a mesma merda,foi o dia em que Jânio conheceu Débora.Após o café da manhã ele sentou-se à calçada e começou a escrever,quando chegou a hora do almoço foi para o Copacabana's BAR,sentou-se na mesa do canto e então uma mulher apresentando-se como grande admiradora de seus versos,perguntou se poderia se sentar,ele concordou apesar de não gostar de incômodo quando comia,na verdade,acho que concordou porque ela tinha um belo par de pernas e coxas,um bumbum roliço e uma equilibrada silhueta,seios medianos,pescoço longo,cabelos ruivos e olhos castanhos que te faziam sentir culpado por não conhecer aquela dádiva antes.Ela falava de seus versos,dizia que os ouviu pela primeira vez no rádio de seu carro,ela dizia também obscenidades que confundiam sobre sua personalidade,definitivamente não era o tipo do velho,mas eles andaram juntos pela praia,e subiram juntos pela portaria do edifício de pedrinhas verdes.
...continua
Allan Bonfim.
Jânio Bonifácio era formado doutor em Medicina pela Universidade do Rio De Janeiro,hoje,Universidade do Brasil ou UFRJ,porém pouco utilizou sua formação como trabalho pois sua paixão estava mesmo nas letras,ou melhor,nas palavras que estas compunham,foi então que se formou em Literatura e a partir daí não parou mais,primeiro foi colunista de um jornal muito lido na época,depois passou a publicar nesse mesmo jornal poemetos e poesias de sua própria autoria mas que assinava com o pseudônimo de Janini.Na época em que trabalhou no jornal conheceu Gabriela com quem viveu os vinte anos mais felizes de sua vida.Os poemas de Janini fizeram tanto sucesso que eram recitados em intervalos de um famoso programa de rádio daquela época,o locutor ao convidar o poeta a se apresentar na rádio ficou surpreso ao ver que Janini era homem.Ao se mostrar para o mundo Janini sempre fora convidado para as mais belas festas com astros do cinema e belas vozes do rádio,foi em uma dessas festas que Janini ganhou o apelido de "O Poeta".Foi convidado pela editora Casa Azul a publicar seus poemas em livros,e a empreitada deu certo,foi um sucesso de vendas em quase todas as edições,Janini tratava de temas cotidianos com extrema leveza e harmonia,foram muito os livros que seguiram com sua assinatura até ser reconhecido em Paris e ter sua obra divulgada lá.Um de seus livros mais lidos foi "Gabriela,a menina do jornal do dia seguinte",um livro que ele escreveu anos depois de seu grande amor falecer.
Mesmo com muito dinheiro Jânio sempre foi muito humilde,apesar de ter sido concebido em uma família bem rica,saiu do apartamento que,lhe foi dado pelo pai em recompensa a formação em medicina,se localizava em Ipanema,mudando-se para um de tamanho reduzido,porém,que supria exatamente suas necessidades,alguns acham que um dos motivos da mudança fora que o antigo apartamento lhe trazia lembranças de Gabriela,este ficava no edifício Green Pallace,número 2567,era um edifício de 22 andares na Rua Manoel Barros que tinha na sua fachada pedrinhas de cor esverdeada que quando rebatiam a luz solar reluziam feito diamantes,o apartamento de Jânio tinha,como todos,sua varanda para a rua,onde ele passava suas noites depois de escrever ou somente observar o dia inteiro na calçada.
José Silva Ferreira tinha seu currículo escolar encerrado no 3º ano do ginasial,atual 9º ano do ensino fundamental,trabalhava em um bar-restaurante na Rua Costa e Silva,que era frequentado de dia,por jornalistas e executivos das redondezas e a noite por bôemios e sujeitos ricos com suas putas de aluguel.No alto de seus 21 anos levava uma boa vida e dividia um apartamento em Ipanema com um amigo que mais tarde iria lhe trazer problemas.
Sua vida na infância foi como a de muitos brasileiros,família pobre,casa simples e pais trabalhadores,apesar de ter largado cedo a escola possuía um inteligente desenrolar de língua,qualquer um que não o conhecesse diria facilmente que se tratava de um locutor de rádio,ou até um doutor não sei de quê,o fato é que isso lhe ajudava bastante em seu trabalho,os clientes do lugar gostavam do garçom simpático que lhes servia drinques tagarelando sem parar,sabia um pouco de tudo,moda,cinema,literatura,discoteca e praia,tudo que um garçom de um bar-restaurante em copa precisava saber.
À noite José saía pra se divertir,rodava por toda a parte boêmia da cidade conhecia os melhores bares,botecos e discotecas,mas tinha preferência,andava muito pela Lapa,dizem até que o apelido de "O Malandro" foi lhe dado lá,mas,além disso era ali onde conhecia a maioria de suas jovens e enxutas companhias de alguns meses,de semanas,de dias,mas gostava mesmo era do Clube Tropical,onde era o "rei da pista",não havia menininha que não olhasse quando gritavam "O Malandro chegou" e apesar de sempre estar cercado por belas mulheres era um solitário,e não que não gostasse,na verdade,acreditava que sempre se deu bem com todas as mulheres justamente por não ter compromisso com nenhuma,foi então que conheceu Débora.
Jânio passava os dias na calçada de sua casa e,de vez enquando,enquanto procurava conteúdo para seus poemas e poesias,passeava pela praia ou pelos bares nos arredores,um de seus preferidos era o Copacabana's BAR,onde Zé Ferreira trabalhava.Por ser sozinho desde que sua mulher morrera,gostava do contato com gente fosse apenas por um olhar ou por palavras,e palavras Zé Ferreira tinha de sobra.Ficava ali sentado na mesa do canto observando o Zé falando e gesticulando,contando seus 'causos' para os outros clientes que riam como desesperados,alguns acreditando nas histórias,outros achando que ele não passava de um malandro.Ao terminar sua sobremesa Jânio se levantava e com sua boina marron saía lentamente do recinto,seus 63 anos lhe gritavam,mas sua aparência era galante e tinha lá uma bela 'persona'.Sempre foi conhecido pelas redondezas como um sujeito simpático porém misantrópico,pois não era de sair a noite e não fora visto sequer uma vez com amigos ou algo parecido,seu plano era viver em rotina,esperando que a morte o alcançasse e ele pudesse finalmente encontrar Gabriela,foi então que conheceu Débora.
Zé Ferreira dividia o apartamento com um amigo de nome Raimundo Star,que diziam ter esse nome da época que dava o rabo lá pelos lados da Dom Pedro II,hoje Central do Brasil,diziam também que além de bicheiro o cara era metido com contrabando de bebidas mas Zé nunca deu ouvidos,aliás Star nunca deixou de pagar o aluguel e ainda lhe emprestava algum se Zé não tinha dinheiro pra noite.A vida de Zé era 'como queira',pegava às 11:00 no Copacabana's BAR e saía dependendo do movimento às 19:30,aí enfim sua noite começava,e foi numa dessas noites que lhe apresentaram a Débora,um belo par de pernas e coxas,com o bumbum roliço e uma equilibrada silhueta,seios medianos,pescoço longo,cabelos ruivos e olhos castanhos que te faziam sentir culpado por não conhecer aquela dádiva antes.E Zé logo levou Débora e pôs-se a redimir sua culpa em seu apartamento,quando acordou,apenas parecia que transara só a noite inteira,ela não deixou cheiro,não deixou marca alguma.
Um dia,Jânio me disse que caminhou até a sacada e sentiu uma beleza especial no dia que ia nascendo,besteira de poeta,aquele dia foi a mesma merda,foi o dia em que Jânio conheceu Débora.Após o café da manhã ele sentou-se à calçada e começou a escrever,quando chegou a hora do almoço foi para o Copacabana's BAR,sentou-se na mesa do canto e então uma mulher apresentando-se como grande admiradora de seus versos,perguntou se poderia se sentar,ele concordou apesar de não gostar de incômodo quando comia,na verdade,acho que concordou porque ela tinha um belo par de pernas e coxas,um bumbum roliço e uma equilibrada silhueta,seios medianos,pescoço longo,cabelos ruivos e olhos castanhos que te faziam sentir culpado por não conhecer aquela dádiva antes.Ela falava de seus versos,dizia que os ouviu pela primeira vez no rádio de seu carro,ela dizia também obscenidades que confundiam sobre sua personalidade,definitivamente não era o tipo do velho,mas eles andaram juntos pela praia,e subiram juntos pela portaria do edifício de pedrinhas verdes.
...continua
Allan Bonfim.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Vem Cá (Arnaldo Antunes;Carlinhos Brown;Marisa Monte)
vem cá
não quero confusão
vamos lá pra fora
longe do portão
cuidado,
olha meu irmão
ele tá ligado,
aqui não dá não
vem cá,
em casa não dá pra ficar
vamos pra outro lugar
onde a gente possa
se dar, fumar e aumentar o som
gritar, vai ser muito bom
sem hora para acabar
pirar debaixo do edredon
pintar e borrar baton
sem medo de alguém chegar
vem cá, vem cá
vem cá, vamos lá
vem cá,
não quero confusão
vamos lá pra fora
longe do portão
cuidado,
preste atenção
o campo tá minado
aqui não dá não
vem cá,
em casa não da pra ficar
vamos pra outro lugar
onde a gente possa
se dar, fumar e aumentar o som
gritar, vai ser muito bom
sem hora para acabar
pirar debaixo do cobertor
amar e fazer amor
sem medo de alguém chegar
vem cá,vem cá,vem cá
VAMOS LÁ !
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Bye,bye Brazil,the South Africa said
Aqui acaba o sonho,que já não é aquele de tempos atrás,digo sem preciosismo,sem demagogia.Acaba aqui a felicidade dos oprimidos,dos privilegiados e dos sem posição definida,acabaram-se as folgas de meio período,as aulas interditadas em dias de jogos,acabaram as oportunidades,às vezes raras,de família reunida,de vizinhança reunida,de união,né? Acabou mais uma esperança daquela bem a cara do brasileiro,de acreditar em coisas impossíveis,no inacreditável,é que se torna tão bonito o voo a uma certa altura,que a gente pensa que pode voar só,todo o resto,não que não tenhamos as asas,só ainda não aprendemos a usá-las direito,aí vem essas quedas estrondosas,que nos escangalham,que nos fazem chorar,xingar.
Acaba-se aqui o trabalho de 4 anos de uma instituição "integra e séria",que mede um povo todo em siglas,três letras que não são o bastante pra dizer,pra contar tudo desse povo.Acabou o "comando" de mais um traumatizado,bode-expiatório em alguns anos atrás,acabou a 'Era Dunga' mais uma vez.
Mas por aqui fica também a minha confiança no único e simples fator que pode decidir o futebol,a imprevisibilidade gerada pelo próprio futebol,porque hoje não tem Ronaldo pra se 'criar' uma crise,não tem Zidane algum pra chamar de carrasco,Teve até um tal de Sneijder,mas não me faça acreditar que perdemos por causa assim,claro que não,há algo por trás de tudo isso,e não me surpreenderia se a Holanda levantasse os homenzinhos que seguram o mundo esse ano.
Acabou o jeito pra disfarçar,agora se nota no sorriso do gol perdido,e no outro sorriso,este do gol tomado,na certeza plena do real resultado final.Ficou por aqui minha confiança na honestidade do sistema FIFA,depois de tantos "erros" não corrigidos.
Acaba a alegria de comemorar um gol na certeza de que foi feito na habilidade,na pintura,na beleza,mas sobretudo,entre todos os impecílios,na honestidade,não mais vejo possível uma nova aparição do admirável Sobrenatural de Almeida,saberei que,caso apareça algo semelhante a ele,será,seu irmão trambiqueiro,o Combinado de Almeida.
Ai,como é triste isso,mas deixa,agora aqui acaba a tristeza também,me lembrei que ainda sou Rubro-negro,acima de tudo,e mesmo com poucas razões pra sorrir,inda vejo o resto do ano pra torcer e acreditar,acreditar,eu nem queria escrever isso,mas já que me veio,me valeu.
Vaarwel Brazil !!!
Allan Bonfim.
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