quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Manchester X Bahia

Estrada,céu,vento vai...
Asfalto,tênis,terra voa...
Barro,vidro,brasa e metal...
Piche,brisa,areia à toa...

O "croc" da sua bota na terra,me dá medo,me apaixona e me implora uma carona à tira colo.Realmente não se sabe onde essa balada inconsequente há de nos levar,não se cabe na observação que se faz do nosso amor,muito menos se vive de forma coerente nesta bela vida.
Me perturba sua incurável mania,vai trocando melodia por melodia sem deixar envolver por qualquer som,qualquer um que satisfaça sua audição está condenado a ser trocado e trocado e trocado e tocado até o fim.Por isso me acompanha,e escuta o que eu gravei pra você,tem influência britânica e regência alemã,melodia americana e tradição francesa,um puro fado português cantado com cadência indiana,você viu o sujeito esquisito com cabelo sobre o olho?

Lembra que dia é hoje?

Allan Bonfim. 

(RE)volta

Tenso,desorganizado,desacostumado,bem malicioso,simples e nada criativo.Bem diferente,mas eu voltei.

Allan Bonfim.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Manual

Corta o cabelo,corta o sorriso,corta a piada,arranca o siso e não reclama de nada.
Muda a camisa,usa a outra calça,pega teu Visa e compra um sapato que esse tênis tá gasto.
Seja simpático,seja sincero,seja direto,sem lero-lero,ajeita o discurso,modera o verbo.
Postura ereta,peito estufado,cabeça erguida,coração batendo,barriga pra dentro e boca calada.
Mastiga a comida com a boca fechada,não confunde canjica com feijoada,agradece tia Zica pelo jantar e seca o prato depois de lavar.
Coloca o fermento,a gema e a farinha,mexe isso tudo numa bacia,acrescenta leite e sal de cozinha...naquela forminha,espalha a manteiga,40 minutos fogo baixo e chega.
Abrace a menina,lhe diga que a ama,compre flores,mande cartas,conserve essa chama,faça isso pra hoje,faça pra sempre,comece agora,pra depois não chorar quando ela for embora.


Allan Bonfim.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nós

Me pega pela nuca gelada e prova de novo a sua rapidez.
Me nega teu beijo, me empurra e me abraça como da última vez.
Me parte no meio e me engole inteiro sem nem mastigar.
Me manda à merda e me aperta entre as pernas q'eu já apertei.
Me arranca o riso e esconde no sorriso a verdade que sei.
Me fura os olhos e me engana, mente e me esgana onde você quiser, faça-se assim o meu homem, que serei tua mulher.
 
Allan Bonfim.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quem não quer sou eu


Vou ficar a noite em claro sem pegar no sono
Meditando sobre o que de fato aconteceu
Eu até pensei que fosse terminar na cama
Como era de costume entre você e eu


Eu fiz de tudo mas era tarde
Foi o que eu podia dar você não entendeu
Eu quis ir fundo e você com medo
Tirou onda pois agora quem não quer sou eu


É... Quem não quer sou eu
Quem não quer sou eu
Pois é...


E vai a noite, vem o dia
E eu aqui pensando
Um cigarro atrás do outro
E eu fumo sem parar
Da janela eu vejo o trânsito congestionado
No meu peito o coração parece buzinar


Eu fiz de tudo mas era tarde
Foi o que eu podia dar você não entendeu
Eu quis ir fundo e você com medo
Tirou onda pois agora quem não quer sou eu


É... Quem não quer sou eu
Quem não quer sou eu
Pois é...

Seu Jorge , Gabriel Moura , Adriano Trindade.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Trilhos

Eram quatro pares de trilhos,dois destes pararelos e longos,quase infindáveis se perdiam ao longe.O outro se espremia pelo canto,tinha parte sinuosa e não se sabia pra onde ia ou voltava,havia ainda um quarto par,na lateral oposta,terminava ali defronte,com uma placa seca de cor amarela com listras pretas.
Eram quatro pares de trilhos,e os dois centrais tinham aquele sentimento de vida mansa,carinho,paixão e tarde na varanda com sono na rede.O lateral trazia dúvidas e medo,mas tinha prazer e um amor que não se joga por aí,era o mais incerto.No canto oposto,o par que terminava logo ali,parecia só observar os outros três.
Eram quatro pares de trilhos,entre os centrais havia o que ia e o que vinha.Aquele que ia parecia nem estar ali,sua imagem era como o brilho dessas estrelas que já morreram à anos-luz mas que ainda vemos brilhar,erro nosso acreditar que ainda vivem.O que vinha,chegava intenso,puro metal brilhante,assustava pelo encanto.Já aquele lateral era diferente de toda essa realidade,parecia passar ali por puro capricho,vaidade.O quarto par no outro lado,companhia desejada de todos os outros três,era o mais indeciso,tão idiota,queria acompanhar mas terminava ali defronte.
Eram quatro pares de trilhos,vou chamar de Luana,Camila,Chris e Allan.

Allan Bonfim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Comunicado.

Haverá uma revisão de tudo que foi feito,escrito,sentido,falado e cobrado,por fim,permanecerão os erros,acertos e as indecisões que me trouxeram até aqui.
Estou feliz,mas ainda me falta muita coisa,e é por isso que em breve estarei lançando a série "Inconvenientes" com fragmentos inconvenientes de qualquer tipo,espero que abracem a idéia.

Allan Bonfim.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Perfeita

A mulher perfeita pra mim,me cobraram os amigos da mesa de um bar...fiquei sem resposta,tornaram a cobrar,não soube o que falar.Seria fácil levantar cartaz de belas pernas e coxas,cabelos loiros,vermelhos ou negros,silhueta de viola e coisa e tal.Mas não seria verdadeiro,sincero,muito menos real.O caso é que,com a bebida e o ambiente,acabei numa situação delicada,pois se digo que a mulher perfeita pra mim seria qualquer uma que viesse e me aceitasse,me cuidasse e fosse plena nos desejos particulares e conjuntos,bom,aí concerteza eu seria motivo de piada e risadas pelo resto da noite e,quiçá,por toda a madrugada.O fato é que não se diz coisas assim,de peito aberto,por lá,a não ser que esteja sóbrio pra ter alguma credibilidade e/ou possibilidade para defender sua idéia,mas eu sei que...
A mulher perfeita virá pela rua distraída,
com vestido solto ou calça jeans,
ouvindo a 90,3 e observando os meninos que jogam bola.
A mulher perfeita talvez acorde cedo,mas só talvez,
acredito que ela acorde lá pro meio-dia e almoce com cara de café da manhã.
A mulher perfeita trabalha e estuda,e dança,e se diverte,e sorri,
e dá conta de tudo isso de uma forma que me deixa boquiaberto.
Ela nem sonha com o amor ou algo parecido,acho que nem acredita,
ou é só tristeza passada,vou mudar isso...
Ela odeia animais de estimação,gosta mesmo é dos selvagens,
o tigre feroz e violento,o pássaro arisco,o porco espinho...e tem coisa mais bonita do que o cachorro-do-mato rolando no mato?
Ela é assim,meio branca,morena,negra e amarela e tem o riso engraçado.
A mulher perfeita aparece sempre por aí,por aqui,por acolá e me faz ter certeza de uma coisa:
Quando a gente se encontrar,a primeira coisa que faremos é dar as mãos e viajar sem mapa,nem bagagem,só pra encontrar aquele lugar que ninguém encontrou,a Casa dos Sonhos,na Cidade do Amor,Número 7 da Avenida Felicidade.



Allan Bonfim.