quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quem não quer sou eu


Vou ficar a noite em claro sem pegar no sono
Meditando sobre o que de fato aconteceu
Eu até pensei que fosse terminar na cama
Como era de costume entre você e eu


Eu fiz de tudo mas era tarde
Foi o que eu podia dar você não entendeu
Eu quis ir fundo e você com medo
Tirou onda pois agora quem não quer sou eu


É... Quem não quer sou eu
Quem não quer sou eu
Pois é...


E vai a noite, vem o dia
E eu aqui pensando
Um cigarro atrás do outro
E eu fumo sem parar
Da janela eu vejo o trânsito congestionado
No meu peito o coração parece buzinar


Eu fiz de tudo mas era tarde
Foi o que eu podia dar você não entendeu
Eu quis ir fundo e você com medo
Tirou onda pois agora quem não quer sou eu


É... Quem não quer sou eu
Quem não quer sou eu
Pois é...

Seu Jorge , Gabriel Moura , Adriano Trindade.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Trilhos

Eram quatro pares de trilhos,dois destes pararelos e longos,quase infindáveis se perdiam ao longe.O outro se espremia pelo canto,tinha parte sinuosa e não se sabia pra onde ia ou voltava,havia ainda um quarto par,na lateral oposta,terminava ali defronte,com uma placa seca de cor amarela com listras pretas.
Eram quatro pares de trilhos,e os dois centrais tinham aquele sentimento de vida mansa,carinho,paixão e tarde na varanda com sono na rede.O lateral trazia dúvidas e medo,mas tinha prazer e um amor que não se joga por aí,era o mais incerto.No canto oposto,o par que terminava logo ali,parecia só observar os outros três.
Eram quatro pares de trilhos,entre os centrais havia o que ia e o que vinha.Aquele que ia parecia nem estar ali,sua imagem era como o brilho dessas estrelas que já morreram à anos-luz mas que ainda vemos brilhar,erro nosso acreditar que ainda vivem.O que vinha,chegava intenso,puro metal brilhante,assustava pelo encanto.Já aquele lateral era diferente de toda essa realidade,parecia passar ali por puro capricho,vaidade.O quarto par no outro lado,companhia desejada de todos os outros três,era o mais indeciso,tão idiota,queria acompanhar mas terminava ali defronte.
Eram quatro pares de trilhos,vou chamar de Luana,Camila,Chris e Allan.

Allan Bonfim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Comunicado.

Haverá uma revisão de tudo que foi feito,escrito,sentido,falado e cobrado,por fim,permanecerão os erros,acertos e as indecisões que me trouxeram até aqui.
Estou feliz,mas ainda me falta muita coisa,e é por isso que em breve estarei lançando a série "Inconvenientes" com fragmentos inconvenientes de qualquer tipo,espero que abracem a idéia.

Allan Bonfim.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Perfeita

A mulher perfeita pra mim,me cobraram os amigos da mesa de um bar...fiquei sem resposta,tornaram a cobrar,não soube o que falar.Seria fácil levantar cartaz de belas pernas e coxas,cabelos loiros,vermelhos ou negros,silhueta de viola e coisa e tal.Mas não seria verdadeiro,sincero,muito menos real.O caso é que,com a bebida e o ambiente,acabei numa situação delicada,pois se digo que a mulher perfeita pra mim seria qualquer uma que viesse e me aceitasse,me cuidasse e fosse plena nos desejos particulares e conjuntos,bom,aí concerteza eu seria motivo de piada e risadas pelo resto da noite e,quiçá,por toda a madrugada.O fato é que não se diz coisas assim,de peito aberto,por lá,a não ser que esteja sóbrio pra ter alguma credibilidade e/ou possibilidade para defender sua idéia,mas eu sei que...
A mulher perfeita virá pela rua distraída,
com vestido solto ou calça jeans,
ouvindo a 90,3 e observando os meninos que jogam bola.
A mulher perfeita talvez acorde cedo,mas só talvez,
acredito que ela acorde lá pro meio-dia e almoce com cara de café da manhã.
A mulher perfeita trabalha e estuda,e dança,e se diverte,e sorri,
e dá conta de tudo isso de uma forma que me deixa boquiaberto.
Ela nem sonha com o amor ou algo parecido,acho que nem acredita,
ou é só tristeza passada,vou mudar isso...
Ela odeia animais de estimação,gosta mesmo é dos selvagens,
o tigre feroz e violento,o pássaro arisco,o porco espinho...e tem coisa mais bonita do que o cachorro-do-mato rolando no mato?
Ela é assim,meio branca,morena,negra e amarela e tem o riso engraçado.
A mulher perfeita aparece sempre por aí,por aqui,por acolá e me faz ter certeza de uma coisa:
Quando a gente se encontrar,a primeira coisa que faremos é dar as mãos e viajar sem mapa,nem bagagem,só pra encontrar aquele lugar que ninguém encontrou,a Casa dos Sonhos,na Cidade do Amor,Número 7 da Avenida Felicidade.



Allan Bonfim.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Profundo

Não liguem,os bestas apaixonados,para as palavras que vão ler,são coisas de um coração amargo,é só um modo de ver,é visão de um vagabundo sem razão de ser,sujeito de sorriso largo e olhar moribundo,é ferida no peito aberto,é corte profundo.
É que hoje,senhores,percebi que o amor é navalha,maçarico,medo de alma-penada,garrafa de vidro quebrada,suicídio,novela mau acabada,nível crítico,é o "eu te amo" com eco no nada,é procurar o fim do mundo,revólver com bala engasgada,queda em buraco profundo.
Me puxou pra dançar e bandou,senti e entendi o marido traído,a mulher abandonada,o doce caído e a criança desesperada,o partideiro falecido e o samba na madrugada,o burro que vaga perdido,o tio querido morto lá perto de casa,o olhar da mãe reprimindo o filho,o ônibus partindo e o cansaço do moço que correu até a praça,o sorriso das senhoras que olham o bêbado falido,o gemido que tú dá quando vem e me abraça,quando vem e me abraça e eu fico mudo,algo tem a ver com um sentimento profundo.
E é tão fundo que não se cai no chão,algo feito manteiga sem pão,fruteira sem uva,bossa sem violão,puteiro sem puta,menino bobão,gente bruta,mês de Junho sem "São João" e a festa agostina sem "caipifruta",canoa à deriva no Ribeirão,engarrafamento em dia de chuva,é algo abstrato no meio da rua,no meia da rua vez em quando tropeço e derrubo tudo,me lembro de você,sim,é profundo.
Ando para lá e para cá e não me esqueço dela,vou até a janela,guardo o meu rancor,lembro da faixa amarela que bordou o meu avô,sol me encara pela fresta,me faz sentir calor,repouso na cadeira que é dela,ligo o ventilador,ouço passos na varandela,surpreso não estou,só pode ser Gabriela...perdoo o seu vacilo com o tal doutor,e mesmo estando eu todo fodido,me abraça e me beija com o mesmo sorriso.
Caído,perdido,nu e quase morto de dor,ri e percebi o quão profundo é o amor.


Allan Bonfim.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Do corredor

Os sorrisos,as fofocas e os entreolhares entre meninos e meninas,alguns desconhecidos,outros brigados e alguns outros enamorados.
Os segredos ao pé d'ouvido,os risos debochados,envergonhados,alegres,e os rostos cansados e enfadonhos,todos vagabundos.
Os bilhetinhos e os gestos,as caretas e imitações,coisinhas de criança sapeca e o sono que chega nos corpos imóveis.
A voz arrastada d'uma professora,d'uma disciplina chata qualquer,suas manias e suas frustrações mais íntimas,tudo...tudo se abafa quando a porta se fecha.

Allan Bonfim.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Do que me interessa

É de extrema importância que:
Minha mensagem por ti passe,
minha letra lhe provoque encanto,
minha palavra te abrace,
meu texto na tua mente flua.

Para que assim,tua tristeza e
tua maldade,aos poucos,eu destrua.


Allan Bonfim.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Eu Te Amo

Seu amor me furta
Seu horror me encanta
Minha vida é curta
Minha fome é tanta

Minha carne é fraca
Minha paz é louca
Minha dor é farta
Minha parte é pouca

Minha cova é rasa
Meu lamento é mudo
Seu amor me arrasa
Sua ausência é tudo


Minha sorte é cega
Sua luz me esconde
Minha morte é certa
Meu lugar é onde

Seu carinho é pena
Seu amor é mando

Minha falta é plena
Minha vez é quando

Eu te amo
Eu te amo...


Cacaso e Sueli Costa.