Que seja culpa do sol,que naquela tarde quente de janeiro,fez fundo pro seu rosto e me iludiu lhe dando ares de deus solar.
Seja culpa do sol,que não apareceu em outra ocasião e me fez deixar entrelaçar nos teus braços com frio.
Seja culpa do sol,que me faz suar e suspirar e me avermelha a face pra que você teça elogios baratos.
Seja culpa do sol,que sempre esteve muito perto do meu coração o aquecendo e esquecendo de fazer o mesmo com o seu.
Seja culpa do sol,que me faz sentir sede e devorar uma brahma e perder a classe e o juízo perto de você.
Seja culpa do sol,que naquela noite dormiu e deixou que você,na penumbra, fugisse de mim.
Que seja culpa do sol apenas,que não permite que você,como uma planta,possa reviver e voltar na próxima primavera só pra eu não precisar ficar acabada e sozinha numa praia qualquer sob a cruel e intensa luz do sol.
Allan Bonfim.
sexta-feira, 13 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
Inconvenientes III
II - A vida é Fogo.
No cruzamento da Pedro Corrêa com a Abelardo Bueno o sinal fechou.Ele observou o menino franzino que fazia malabares,duas tochas com duas pontas inflamadas em chamas cada,geravam um bonito espetáculo,se estivesse o menino no picadeiro do soleil mereceria ser aplaudido por toda a platéia de pé.
Mas a vida não lhe era nada espetacular,sua platéia observava-o apática e de vidros fechados,nenhuma moeda,nenhum aplauso,com a luz amarela do poste e os vidros escuros,não via nenhum rosto também.
Por pena e não por outra coisa,ele abaixou o vidro e serviu algumas moedas que estavam esquecidas em um dos porta-objetos e,na tentativa de alegrar o menino,inda soltou a infame piadoca:
- A vida é fogo,né?!
O sinal abriu e ele deu a partida,o menino recolheu-se a calçada esperando a deixa da luz vermelha para a próxima apresentação.
Allan Bonfim.
No cruzamento da Pedro Corrêa com a Abelardo Bueno o sinal fechou.Ele observou o menino franzino que fazia malabares,duas tochas com duas pontas inflamadas em chamas cada,geravam um bonito espetáculo,se estivesse o menino no picadeiro do soleil mereceria ser aplaudido por toda a platéia de pé.
Mas a vida não lhe era nada espetacular,sua platéia observava-o apática e de vidros fechados,nenhuma moeda,nenhum aplauso,com a luz amarela do poste e os vidros escuros,não via nenhum rosto também.
Por pena e não por outra coisa,ele abaixou o vidro e serviu algumas moedas que estavam esquecidas em um dos porta-objetos e,na tentativa de alegrar o menino,inda soltou a infame piadoca:
- A vida é fogo,né?!
O sinal abriu e ele deu a partida,o menino recolheu-se a calçada esperando a deixa da luz vermelha para a próxima apresentação.
Allan Bonfim.
domingo, 1 de março de 2015
Columba Livia
Antes fosse um pombo...
Englobava toda a vida com pena e asas,a vida toda
Não passaria por nada do que passei,nadinha,eu Já estaria morta
Mas ainda assim seria um pombo,um morto pombo
Com uma vida pregressa de pombo,e só isso
Sem emoção !
Sem pensamento !
Sem paranóia !
Sem preconceito !
Sem aluguel !
Sem pedagogia !
Sem opressão social !
Sem grana !
Sem ódio !
Seria só rastro,fóssil,ou carcaça de animal,parte estatística de mortalidade da fauna silvestre
Plenamente útil a biologia
Antes fosse um pombo.
Jess Serafim.
Englobava toda a vida com pena e asas,a vida toda
Não passaria por nada do que passei,nadinha,eu Já estaria morta
Mas ainda assim seria um pombo,um morto pombo
Com uma vida pregressa de pombo,e só isso
Sem emoção !
Sem pensamento !
Sem paranóia !
Sem preconceito !
Sem aluguel !
Sem pedagogia !
Sem opressão social !
Sem grana !
Sem ódio !
Seria só rastro,fóssil,ou carcaça de animal,parte estatística de mortalidade da fauna silvestre
Plenamente útil a biologia
Antes fosse um pombo.
Jess Serafim.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Inconvenientes II
II. O corpo que cai.
Todos os dias,por volta das onze e meia,eu chegava na mesma mesa da mesma praça de alimentação do mesmo shopping para almoçar,isso faz tempo,foi antes desse tal lugar se deixar levar por incêndios misteriosos e devastadores.Mas isso é um outro conto que por vir está.
Num desses dias,enquanto fingia não saber e escolher o que devoraria,me deparei com o que chamo de "liberalismo burro", política aplicada por muitos pais em nosso belo país.
Aparecia a mãe na velocidade da escada rolante e ,aos poucos, surgiu o filho que aparentava dois anos de nascido,solto,solo e serelepe,saiu da escada caminhando em trote tal como o bêbado que cai,e caiu.Tudo muito normal pra quem aprendendo a andar está,ele ciente,nem choro deu e até sorriso ensaiou enquanto tentava levantar.Abanou-se no chão como quem desbrava esses lados obscuros do mar,eu iria prestar ajuda ao toco de ser mas o riso tomara o controle deste que vos fala,e como ri,gargalhei como a tempos não o fazia,como foi bom,o anjinho sem asa veio para me alegrar.
A mãe lhe puxou e encarou-me com a face fechada,confundia indignação e vergonha,outros populares prestaram um olhar sério,corretivo,mas sabia eu que estavam com um desejo enorme de rir.
A comida chegou,já recomposto,ajeitei o corpo no assento e fiquei lá esperando a próxima desnaturada e seu filho babaca.
Allan Bonfim.
Todos os dias,por volta das onze e meia,eu chegava na mesma mesa da mesma praça de alimentação do mesmo shopping para almoçar,isso faz tempo,foi antes desse tal lugar se deixar levar por incêndios misteriosos e devastadores.Mas isso é um outro conto que por vir está.
Num desses dias,enquanto fingia não saber e escolher o que devoraria,me deparei com o que chamo de "liberalismo burro", política aplicada por muitos pais em nosso belo país.
Aparecia a mãe na velocidade da escada rolante e ,aos poucos, surgiu o filho que aparentava dois anos de nascido,solto,solo e serelepe,saiu da escada caminhando em trote tal como o bêbado que cai,e caiu.Tudo muito normal pra quem aprendendo a andar está,ele ciente,nem choro deu e até sorriso ensaiou enquanto tentava levantar.Abanou-se no chão como quem desbrava esses lados obscuros do mar,eu iria prestar ajuda ao toco de ser mas o riso tomara o controle deste que vos fala,e como ri,gargalhei como a tempos não o fazia,como foi bom,o anjinho sem asa veio para me alegrar.
A mãe lhe puxou e encarou-me com a face fechada,confundia indignação e vergonha,outros populares prestaram um olhar sério,corretivo,mas sabia eu que estavam com um desejo enorme de rir.
A comida chegou,já recomposto,ajeitei o corpo no assento e fiquei lá esperando a próxima desnaturada e seu filho babaca.
Allan Bonfim.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Inconvenientes
I - Velha crônica da mulher traída.
Passa pela porta de entrada,e depara-se com a referida Amélia o aguardando no sofá.Sonolenta,ela o encara,sorri e pergunta:
- Tá com fome,amor? Quer q'eu esquente a comida?
Ele responde:
- Não precisa,querida,comi na rua!
E ao longo das décadas, dos séculos e milênios fica constatado que "uma comida" dificilmente terá o mesmo significado para canalhas e donzelas.
Allan Bonfim.
Passa pela porta de entrada,e depara-se com a referida Amélia o aguardando no sofá.Sonolenta,ela o encara,sorri e pergunta:
- Tá com fome,amor? Quer q'eu esquente a comida?
Ele responde:
- Não precisa,querida,comi na rua!
E ao longo das décadas, dos séculos e milênios fica constatado que "uma comida" dificilmente terá o mesmo significado para canalhas e donzelas.
Allan Bonfim.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Tua Carta
Sei o nome do que sinto,mas seu nome desconheço.Sei da dor,da alegria e do prazer da intimidade,mas como será convosco?
Desculpa,é que fico olhando as palavras que você escreve,pensando naquilo que teu texto produz e,do nada,alguma coisa meio louca me arrebata e fica ecoando ao ouvido enquanto flutuo num ar estranho,tem cheiro de coisa que já vivi e que temo viver novamente.Mas talvez,eu penso,com você possa ser diferente,possa ser algo celestial se você for,e executar,trinta por cento do que escreve.De minha parte,posso garantir-lhe uma grande colaboração pois anseio por felicidade,expressa,pra viagem,pra vida inteira e às vezes imagino a gente de mão dada,fazendo idiotices de casal,fazendo inveja até nos outros porquê nosso amor será lindo,será intenso,tal qual todos que já vivi e viverei e quiçá muito melhor.
Mas por agora,enquanto não compartilho com você o que quero compartilhar com você,fico somente a lhe admirar,no silêncio,no escuro,aguardando a coragem que poderá fazer gritar o coração e trazer sua luz para perto de mim.
Allan Bonfim.
Desculpa,é que fico olhando as palavras que você escreve,pensando naquilo que teu texto produz e,do nada,alguma coisa meio louca me arrebata e fica ecoando ao ouvido enquanto flutuo num ar estranho,tem cheiro de coisa que já vivi e que temo viver novamente.Mas talvez,eu penso,com você possa ser diferente,possa ser algo celestial se você for,e executar,trinta por cento do que escreve.De minha parte,posso garantir-lhe uma grande colaboração pois anseio por felicidade,expressa,pra viagem,pra vida inteira e às vezes imagino a gente de mão dada,fazendo idiotices de casal,fazendo inveja até nos outros porquê nosso amor será lindo,será intenso,tal qual todos que já vivi e viverei e quiçá muito melhor.
Mas por agora,enquanto não compartilho com você o que quero compartilhar com você,fico somente a lhe admirar,no silêncio,no escuro,aguardando a coragem que poderá fazer gritar o coração e trazer sua luz para perto de mim.
Allan Bonfim.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Em tempo
Nem toda água do mundo
Nem um grito estridente e agudo
Nem a pompa de Dom Pedro II.
Nem a farpa no dedo furado
Nem a lágrima no rosto molhado
Nem o cavalo branco e alado.
Nem o estômago doido de fome
Nem o beijo entre dois homens
Nem o preço do teu headfone.
Nem o óculos da tua amiga
Nem a forma da tua barriga
Nem a força incomum da formiga.
Nem todo o ouro do tesouro
Nem o barulho do seu choro
Nem a alegria do cachorro.
Nem a vida como ela é
Nem a beleza inata da mulher
Nem o desenho do profeta Maomé.
Não fará a Terra menos esquisita
Nem a tornará muito mais bonita
Se a mudança não começar por VOCÊ !
Allan Bonfim.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Je suis Charlie
Não me admira a violência
A maldade é precisa,
Pois dilacera a camisa
E fere onde dói.
Não me admira a notícia
Eu visto a camisa,
Propago a palavra
E compartilho a dor.
Não me admira a tristeza
O cartoon sobre a mesa
Denuncia sem medo
Com doída beleza
Não me admira a covardia
Fica marcado como o dia
Em que a ira sobressaiu à alegria,
E a liberdade sucumbiu ao terror.
Allan Bonfim.
A maldade é precisa,
Pois dilacera a camisa
E fere onde dói.
Não me admira a notícia
Eu visto a camisa,
Propago a palavra
E compartilho a dor.
Não me admira a tristeza
O cartoon sobre a mesa
Denuncia sem medo
Com doída beleza
Não me admira a covardia
Fica marcado como o dia
Em que a ira sobressaiu à alegria,
E a liberdade sucumbiu ao terror.
Allan Bonfim.
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