terça-feira, 30 de março de 2010

Mendigo de mim.

Me deixe aqui pensando que eu prometo não fazer mal a ninguém,e se algum mal eu fizer,pode me punir,pode me jogar na cadeia,e me deixem lá por anos,que assim eu volto mais revoltado,mais decidido,e talvez,até mais forte.Tem gente idiota que para no tempo e começa a ver o passado se arrependendo daquilo tudo que conquistou,dá neles uma espécie de desânimo,uma reflexão babaca que diz:
- E agora que eu cheguei aqui e conquistei tudo o que eu queria,o que eu farei?

Oras,vá aproveitar o que conquistou,vá desfrutar das maravilhas dessa vida,se conquistou àquela mulher,saia com ela de saia e se divirta com os marmanjos a olhar,deixe ela gastar teu dinheiro,afinal,você não fará nada mais legal com ele mesmo,transe com ela,mas transe muito,porque se um dia ela te trair,pelo menos você pode dizer que foi feliz e bom enquanto durou,e se o que conquistou foi àquele carro,corra com ele,ultrapasse sinais,passe rápido nos quebra-molas da vida,jogue a água das poças nos cachorros das calçadas,buzine pra moças do colegial,busque sua mulher no trabalho,faça ela feliz,faça uma viagem.E se o que conseguiu foram os filhos,curta eles,faça-os felizes,lhes compre sorvete e chocolate,leve-os ao parque,sorria pra eles e lhes dê muito carinho,afinal,eles vão provavelmente cuidar de você,quando você voltar a ser criança,quando lhe cair todos os dentes,quando fores só embriagues do tempo.
Pois bem,eu lutei,eu conquistei,tudo isso,mulher,carro,dinheiro,filhos,e agora sinto que,de nada valeu.Estou limpo e perfumado,mas sinto o mau cheiro daquilo que não fiz,estou de terno,bem alinhado,mas sinto-me bangunçado e desarrumado,pelo rumo que a vida me levou,me arrastou,e olha que cheguei aqui,na maioria das vezes,sobre rodas,mas sinto o cansaço nas pernas de quem andou o mundo,de quem fez um caminho que não era seu.
É,já estão meus filhos criados,bem sucedidos,mas eu permaneço aqui,parado nessa cama que é até confortável.Eles não sabem,mas toda a alegria que senti,os risos que eu ri,era tudo deles e não meu,e não adianta baterem na porta e me chamarem pra fora porque eu não vou sair,agora com a vista cansada,vejo com clareza tudo que eu queria,mas de nada adianta,já tenho tudo isso,já tenho todo esse poder,toda essa riqueza,nada posso mais fazer,minha vida é assim,e justo no fim dela,me descobri mendigo de mim.

Allan Bonfim.

terça-feira, 9 de março de 2010

O amor

Me fez feliz.
Quase me derrubou.
Foi infeliz.
Se foi e não voltou.
Mudou meu jeito.
Saiu do peito e saltou.
Te agarrou.
Pintou teu cabelo.
Agora é roxo.
É um desgosto gostoso.
É 20,30 ou mais.
Sabe bem o que faz.
Não sabe nada do que faz.
Não te explica não,sabe?!
Cabe onde mais nada cabe.
Sai por AÍ pra pegar VOCÊ.
me faz esperar AQUI sem TE ter.
Às vezes é engraçado.
Deixa gente com peito rasgado.
Nos faz rir feito desesperados.
Tem o jeito quente de ser.
Tá em mim.
Tá em você.
Vai saber.
Vai um dia explicar.
Vai fazer entender.
Que se sente é pra aprender.
Que se sente é pra sofrer.
Que se sente é pra amar.

...é nada mais,amor.

Allan Bonfim.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Era uma vez em Barguilândia (Acorda,Brasil)

Mais um dia em Barguilândia,uma manhã ensolarada pede licença e atravessa as cortinas,implorando ao menino que acorde.As flores com gotas de orvalho em suas pétalas,e o cheiro da terra úmida complementam o cenário.Ele se levanta e se lava no lago,lago lindo com água cristalina e um bem estar que só quem é feliz sente,sente vontade de sorrir e sorri,mesmo que seja só por rir.
Prepara com atenção o café,aquele com cheiro conhecido,que lembra o da sua mãe ou o da sua avó,biscoitos de forno,chocolate,polvilho,tem de tudo.Pães de queijo quase se perdem no meio das frutas,são tantas,maçãs,ameixas,uvas das mais diversas cores,sim,bem ele come porque é feliz,começa então a sequência de sucos,manga pra animar,laranja pra dar força,um de pitanga pra dar graça.Sai da mesa,em sua casa a visão é panorâmica,é só imaginar um disco voador transparente todo cercado de vidro,e pronto,lá está.E o menino caminha pra fora,passa pelo jardim e é tanta beleza nesse mundo,vai,vai sim caminhar,passa pelo viaduto que paira sobre o parque onde outras crianças brincam,vai até o mercado central,que é o ponto de troca da Barguilândia,onde cada produto tem o seu valor fixo de troca,pois o dinheiro não existe em Barguilândia,e também não existem 'dores de cabeça' com contas de água,luz ou telefone,tudo é gratuito,tudo é livre,todos cumprem o seu respectivo trabalho em favor do conjunto.
O governo de Barguilândia é formado por todos os seus membros/habitantes,todos eles,e é dividido em distritos e todos têm direito semelhante,mas,se por algum acaso alguém ousar prejudicar a constituição barguilandense,esse alguém é punido sendo expulso da Barguilândia.Aqui nesse mundo fantástico e limpo,todos têm a consciência moral,por isso,nunca verá ruas sujas ou águas poluídas aqui.
O menino volta do mercado central com suas compras,regou as suas flores e foi brincar,sim,brincar,outro detalhe muito importante é que todos os membros/habitantes da Barguilândia são crianças,seu ciclo vital é normal,com uma diferença,não crescem jamais,não perdem a inocência,acho que isso ajuda na reciclagem do sistema da Barguilândia.
Na brincadeira,os dois sobem em suas respectivas bicicletas e pedalam em direção a estrada central,que leva ao mercado central e passa pelo vale central,sobem arduamente a rua de terra que dá pra estrada,o sol ainda arde os raios da tarde,e como num toque de mágica a subida se transforma em uma descida em ladeira,eles largam o guidão e abrem os braços,o menino sente uma brisa fria cortar a face,ele ainda escuta a menina dizendo para abrir os olhos e freiar,ele atende o pedido,e se depara com a barreira lateral da estrada,o medo lhe congela,e seus dedos não respondem e não tocam os freios,ele simplesmente se deixa cair,e imediatamente sente o corpo pesado,é como se despencasse parado,apenas escuta uma voz suave dizer:
- abra os olhos !
Ele atende o pedido pela segunda vez,e,pra sua surpresa,o sol não mais brilha pois é noite,em sua cama,seu corpo não é mais de menino é de homem,sua casa não mais é de vidro,nem tem visão panorâmica,ele se levanta e pelo caminho,na mesa da sala vê a carta de mais uma prestação da moto,olha à janela e nada de plantações,só carros e prédios,indo até a cozinha,ele vê guardada em uma fruteira,uma maçã esquecida que apodrece em desprezo e ele finalmente cai em si,está em casa,seu país não é nada perfeito,é cercado de corrupção,sujeira e violência,se dirige ao seu computador e após uma longa reflexão,solta um riso e diz:
- Barguilândia,né?!

Allan Bonfim.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Real fantasia (Pra quando o carnaval chegar)

As cortinas se mexem,o palco já está quase pronto.
Vai começar o "carnaval"....
Ajeitem-se em suas cadeiras,liguem suas tvs.
Vai começar o "carnaval"....
saiam por aí,Pernambuco,Rio,Bahia.
Vai começar o Carnaval...
Mas por favor,não comprem balas dos meninos que vendem balas.
Vai começar o "carnaval"...
Não comprem balas,pois os meninos levarão balas.
Vai começar o "carnaval"...
Retiramos os 'encostados' das ruas pra vocês.
Vai começar o Carnaval..
Andem nas ruas e consumam bastante.
Vai começar o Carnaval.
Sintam-se seguros,a polícia está ALERTA.
Vai começar o Carnaval...
Nada de urinar nas ruas,nessa época é feio
Vai começar o Carnaval...
Corram policiais,escondam os corpos,
escondam as balas,os turistas vêm/veem aí.
Vai começar o "carnaval"...
Sorriam,gente feliz é o que somos,
mesmo debaixo da chuva.
Vai começar o Carnaval...
Mesmo debaixo da água,de toda essa 'água'
Vai começar o "carnaval"...
Afogados salvem-se,'afogados' emerjam.
Vai começar o Carnaval...
Levem cinco dias de boa vida e felicidade.
Vai começar o "carnaval"...
Esqueçam os corruptos e apertem suas mãos.
Vai começar o "carnaval"...
E olhem lá.
Vai começar o Carnaval...
A Colombina fugiu do Pierrot de novo.
Vai começar o Carnaval...
Cautela nas estradas.
Vai começar o "carnaval".
Eu sou o Pierrot,
E o Arlequim diz:
O CARNAVAL JÁ COMEÇOU !!!

Allan Bonfim.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Era Tico,Allan e Eu (Pra publicar é preciso)

Puxou a cadeira e sentou-se com as mãos apoiadas na mesa,a frente,dois seus discutiam loucamente sobre a publicação:

- Eu prometo fazer algo inédito,algo que vão gostar.
- Inédito como?
- Oras,inédito.
- Veja bem,pode ser que não gostem.
- Tô falando,vão gostar.
- E num dá pra dar uma prévia?
- Vai deixar de ser inédito.

Sentindo o caminho que a conversa ia levar,ele pede a palavra e diz:

- Tá,eu autorizo,mas vai ter o meu nome no final.
- Ih,minha opinião não vale mais nada aqui não?
- Sinceramente...não !
- Eu que dei nome aquilo !
- Quem é o cabeludo?
- Você.
- Pronto,está decidido.
- Não,não é assim.
- Sim,é assim sim,fale-me mais sobre o 'inédito'.
- Bem...
- Espera aí !!!
- Ai caramba.
- Eu respondo os comentários,eu comento nos outros blogs,organizo tudo lá.
- Eu escrevo os textos.
- Grande merda...
- Tire os textos e veja o que sobra então.
- O espaço cabeludo.
- Totalmente sem cabelo.
- Mas com muita cor.
- Cor só tem graça em cabelo.
- Ele tem razão.
- Você fica quieto.
- Não,você fala,conta logo sobre o inédito...
- Não posso.
- Ahn?!
- Deixa de ser inédito.
- Tá.vai ser legal? terá conteúdo?
- Sim,sim,concerteza.
- Então só quero o meu nome.
- Tá bom.
- E eu?
- Tico,eu deixo você dar as cores.
- Sério?!?! *o*
- Claro.
- E você,o que vai querer?
- Eu?
- É,você !
- bem...eu escrevo (:

Allan Bonfim...Ticoético e Eu.



ps:o motivo de eu ter ficado tanto tempo sem publicar foi um erro provocado por uma leve distração (tinha programado a publicação pra daqui a cinco anos) a falta de tempo também entra na receita,enfim,aproveito o pós-script pra falar um pouco do escrito acima,foi uma coisa que me ocorreu enquanto escrevia um texto que será publicado a seguir,achei interessante registrar pra você que lê ter uma idéia vaga do que ocorre na minha mente e na mente deles (Tico e Allan),um bom dia a todos,meu turno acaba aqui,vou dormir.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Amor de Quinta (Felizes pra sempre)

Sentaram na cama os dois para dormir,mas não foi uma ida de quem sente sono,foi uma ida obrigatória,como se a idade não mais os permitisse ficar acordados depois das nove e meia.Era triste,mas estavam conformados com a senilidade.Puxaram a coberta e se deitaram,aí se entreolharam,no olhar dele pra ela,parecia lembrar da juventude,de quando chamava carinhosamente de 'nega' aquela moça de pele clara,e corriam os dois na grama verde da Quinta da Boa Vista,parecia lembrar dos sorvetes divididos ou não na pracinha por falta de dinheiro,parecia lembrar do 'penar' que foi até o primeiro apartamento,da emoção ao saber da primeira filha,a subida dentro da firma onde muito duro deu.
Ela,em seu olhar,parecia lembrar de sua beleza juvenil,já distante a tempos e substituída por uma pele que não parecia sua,enrugada era,parecia lhe cobrar os passeios,lhe cobrava as 'loucuras românticas' de muito tempo atrás,parecia lembrar da emoção de ser carregada desde o portão até a sala por seu 'moreno da pele preta',como o chamava.
Mas algo a mais acontecia naquele quarto,era o encontro desses dois olhares,e esse,perdoava a intensidade romântica perdida,entendia que o corpo já não atendia a necessidades emocionais,lembrava que a velhice trouxe coisas boas,como duas bisnetas e a tranquilidade na percepção,esclarecia e obrigava a aceitação do estado atual,fazia esquecer os conflitos de outrora e mostrava que estavam ali,este tempo todo juntos,não a toa,mas que era inevitável a dominação da rotina.
Os dois,ali,nesses dois segundos,entenderam-se,disseram um "boa noite",ele apagou a luz e viraram-se cada um para o seu lado.


...sentindo algo a explicar,ela acende a luz e solta a pergunta:
- Mário,se alguma moça jovem e bonita aparecesse e o quisesse,você assim,me largaria?
Ele,surpreso com a pergunta,virou-se e disse:
- Como é que é,minha velha?
- Perguntei se me deixaria se uma moça jovem lhe quisesse.
- Ora,minha velha,depende da jovem,né? ele diz em tom sarcástico.
Decepcionada,ela retruca:
- Oh,deixe então velho safado,que te arranjo uma bem enxuta !
- Minha velha,não tem jeito.
- E o que não tem jeito?
- Eu te amo,minha nega,te amo e não há mais como se livrar de mim,minha velha.
Uma lágrima,inevitável e incontrolável a essa idade,caiu dos olhos daquela velha que aos poucos ia percebendo e sentindo a força do que unia os dois,e ela respondeu:
- Ô meu preto velho,te amo tanto,mas sinto aquele nosso amor tão sumido...

- Não tá sumido não,ele agora tá mais tranquilo e sublime.
- Mas onde tá a paixão?
- Ih,essa se perdeu faz tempo...

- Ora pois,veja aí então.
- O quê que tem?
- E isso é bom?
- O quê? (a mente já devagar)
- A paixão perdida,Mário,o que mais seria?
- É claro que é bom,velha,agora só nos resta o amor,este sem paixão,se torna mais bonito,se torna um amor puro.
Ela torna a transbordar sua emoção nos olhos,no fundo sabia,aquilo só precisava ser dito e respectivamente ouvido.
- Mas maria,está parecendo uma torneira esta noite.
- É a idade velho,é a idade.
- Eu sei,minha moça,mas vamos dormir,han?
- Sim,meu velho,sim.

Apagaram a luz e novamente se viraram cada um para o seu lado,ela agora,tinha seu coração renovado,apenas emocionalmente,o que já lhe bastava,sabiam os dois que a vida era ali,a idade não mais lhes permitia planos à longo prazo,então viviam como jovens,cada dia intensamente,e foi assim até suas mortes,mas eles se amaram tanto,mais tanto,que até hoje,tem gente que jura que viu o casal de velhinhos correndo jovens pela grama da Quinta Da Boa Vista.

Allan Bonfim.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

No Zoo (Eu,leão)

Eu leão,
me tiraram as garras
Eu leão,
me tiraram família
Eu leão,
me tiraram a força
Eu leão,
me tiraram a liberdade
Eu leão,
e quando essa gente me vê
Eu leão,
quase sempre estou cansado
Eu leão,
agora como carne fria
Eu leão,
há muito não sei o que é correr
Eu leão,
sinto saudades da leoa
Eu leão,
lembro dos tempos de vento na cara
Eu leão,
agora à noite fico sozinho
Eu leão,
agora sinto até frio
Eu leão,
agora 'vivo' numa jaula
Eu leão,
já não sou àquele leão
Eu leão,
de tanto remédio o coração não aguenta mais
Eu leão,
cansado de toda essa gente
Eu leão,
não mais ligo pro tempo
Eu leão,
só espero morrer
Eu leão...não,hoje não tem leão,não mais.

Allan Bonfim

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Prainha,uma pra contar (Letícia)

Mais uma vez ter que mergulhar,descer ao fundo e tentar encontrar o sonho que eu perdi,correntes fortes em todo lugar,mudando tudo quando tudo está no tom pra ter um fim...(ouvindo 'Quicksand' de David Bowie cantada por Seu Jorge)

[...] e logo estamos na praia,chegamos,nos instalamos na areia,areia fina,parece que caminhamos em algodão doce.A água é multicolorverde daqui agora,caminho até lá e dou um mergulho,não,o mar não tá pra peixe e muito menos para mim,então observo muito da areia,vejo os morros altos e verdes que cercam estas águas fazendo lembrar àquelas figuras que eu via nos livros de história no tempo de primário,aos pés deles,pedras parecem conter a água dizendo:
- Voltem moças,voltem belas ondas,o mar é seu lugar !!!
Pra ser sincero,não sei por quanto tempo elas irão obedecer as sábias e velhas pedras,mas tanto faz,pois hoje é sábado,tanta gente feliz na areia,e eu decido andar até as pedras,pura curiosidade da vista lá de cima.

Mesmo encontrando dificuldade pra subir,algo forte me move até lá,pés no chão,lá em cima a primeira curva com vista pro mar,confesso,apavora,mas sigo,pronto,aqui é lindo,pensei.Alguém me diz algo que não entendo,olho pro lado,uma jovem,voz feminina,moça na pedra,é Letícia,assim me conta enquanto conversamos,e como conversamos,falamos sobre gente conhecida,sobre mim,sobre ela.
- Licença por favor,dizem as pessoas.
Fico bestializado com o modo rápido com que descubrimos os lugares bons,decidimos sair dali,estamos sentados no meio da trilha,ela quer ir para mais longe da praia,e quando chegamos,eu quero ir até o pontal,digo que deve ser lindo,o que iria se firmar verdade um pouco mais tarde.Caminhamos os dois até lá,as pedras com ferimentos antigos,castigam os pés,agora a água se mostra azul,límpida,uma pequena tartaruga se exibe dentro d'água,parece se mostrar para nós e dizer:
- Vão,curtam a paisagem,é linda,é linda.

E é o que fazemos,continuamos o caminho e chegamos ao destino,e que lindo é,são pedras aos nossos pés encontrando com o mar,esse não é o mar de praia,é aquele,o alto,que chamamos de alto,na verdade,fundo,é alto mar,o perigoso é lindo,avistamos outra praias,mas nada de areia,essas são de pedras.
Duas pedras a nossa frente,geram um espaço côncavo por onde as ondas entram e batem,e lambem as pontas dessas mesmas pedras,eu me aproximo,a visão é do horizonte e a água agora é púrpura,ela se mostra encantada,registra tudo na máquina que carrega consigo,e de repente se dirige às mesmas pedras que me encontrava e grita incessantemente:
- É muito lindo,é muito lindo,é lindo !!!!
Penso que a tartaruga tinha razão,e ela também,parece estar em êxtase,e o perigo se mostra,uma onda forte bate,e as pedras avisam:
- Não se perca na beleza,a beleza afoga,a beleza afunda.
Eu apenas a aviso pra não chegar muito perto da beira,ela concorda,e ficamos os dois observando a paisagem,tempo depois,ela parece lembrar de algo e:
- Tenho que ir,vai voltar ou ficar aí?
Ponho em prática meu pouco cavalheirismo e digo que acompanho-a na volta,as pedras como sempre castigando os pés,entre as águas,avisto a mesma tartaruga que agora diz:
- Vai-te,mas volta,volta logo,volte sempre !!!
Seguimos o caminho e as pedras,não por acidente,deixam meu corpo escorregar,a marca se faz no pé,e elas dizem:
- Não se preocupe,é lembrança,lembrança de nós,lembrança de Letícia.
Eu sigo,seguimos caminho,com aquela dor,uma dor nem tão grande,mais a frente,um cacto,deixaria uma lembrança em seus pés,Letícia,um pequeno furo,chegamos ao ponto da primeira conversa,meu celular toca,e é a gente se retirando,saindo da praia.Observamos,e em direção a praia seguimos,seguimos o caminho,aquela curva,confesso,inda apavora,descemos,chegamos a praia.
- Vai ficar?
- Tenho que ir.
Ela me passa o orkut que mais tarde seria apagado de forma desconhecida,e seguimos,com um pé furado e outro esfolado,seguimos o caminho,agora diferente pra cada um,poderia ser um GRANDE amor,poderia ser uma GRANDE amiga,não sei,pois foi só Letícia.

...não acho que seja normal,minha mente me fazendo mal e seu beijo amargo de jiló,e seu beijo amargo de jiló...(espero vê-la,espero ir pra cachoeira,Cachoeiras de Macacú)

Allan Bonfim.